One More Kiss, Dear
A principio, parece totalmente incongruente que One More Kiss Dear faça parte da trilha sonora de Blade Runner. Mas quem ama este filme como eu, quem ja o viu e reviu, e viu versão extendida, e viu versão do diretor, e sobretudo tem repulsa pela continuação monstruosamente ruim que fizeram para ganhar umas sobras fáceis anos atrás, só quem tem Blade Runner na conta de um dos melhores filmes já feitos entende que esta míusica é fundamental para que a trilha sona faça sentido.
A trilha sonora como um todo é um primor, mas One More... se destaca. Ante a aridez crua que por ironia se desenrola sob uma chuva ininterrupta que permeia todo o filme, agregando caos e dor, One More é quase que um refúgio, um porto seguro, uma lembrança sútil que sendo ou não um Replicante, Deckard (claro que é, independente do que se diga), ele foi criado para ter sentimentos, assim como Rachel e todos os outros replicantes e eles sentem, e eles só querem um pouco mais de tempo, um pouco mais de vida, o que non final das contsas, é o que todos queremos.
As questões filosóficas tão bem engedradas na trama de Blade Runner são suavizadas quando se ouve One More Kiss, Dear. Fica evidente o poder que uma música pode ter, o poder que a arte exerce sobre as almas que escolhem sensíveis ser. Neste caso é quase que arte dentro da arte, afinal o filme segue um trilho e One More... vem em outro, em paralelo, claro, mas jamais em desencontro, sempre complementar, sempre sendo o que a arte deve ser: alívio para um mundo em desespero.
Incrível como tanto o filme quanto a musica sobrevivam bem ao passar dos anos e ambos emocionem tanto e a tantos mundo afora. Claro que a interpretação da música e nada menos que magnífica e emocionante e embora poucos possam apreciar a beleza contida em cada nota desta canção, isso não quer dizer que não esta ali tal beleza.
Afinal, Sonham Andróides com Ovelhas Eletricas?
É isso.
Ouvindo: Vangelis
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