Sobre Elza Soares
Processar a perda de Elza Soares primeiro em minha vida e depois na vida do país, me levou a demorar a escrever sobre sua morte. Pilar indestrutível de nossa cultura musical e principaente da minha compreensão sobre músida de qualidade e com engajamento, a perda de Elza é uma tragédia daquelas a serem lamentadas por dias e dias e dias. Como o foram J. Cash, Whitney, Michael, Tom Jobim, Sinatra e mais um poucos, bem poucos. Perder Elza Soares é perder um pouco da identidade do brasileiro e pior, a grande maioria nem se da conta disso.
Bolsonaro, o idiota, não abriu a boca para falar de sua morte mas decretou luto nacional para a morte do igualmente idiota Olavo de Carvalho, auto proclamado filósofo que nunca passou de um bosta. Embora Elza jamais fosse precisar da anuência de Bolsonaro no tocante (kkkk) ao seu talento, presidentes devem ter o minimo de sensibilidade. Bolsonaro não tem mais que um par de neurônios sequer, então, exigir sensibilidade de sua parte é inútil.
Elza fou a voz do milênio segundo a BBC e por mais que eu a entenda como uma artista maiúscula, não concordo em absoluto com essa afirmação. Para uma grande interpretação nem sempre precisa-se de uma voz irretocável e o forte de Elza sempre foi a interpretação, embora sua voz fosse irretocável, claro, não é a voz do milênio. O poder de Elza ia muito além de sua voz. Vinda do planeta fome, Elza foi farol de luta, de postura e compostura, de genialidade ao falar não só ao cantar. Sua postura de gente de verdade em um mundo de gente de mentira a fez uma artista para jamais ser esquecida.
Seja cantando com insuspeita sensualidade a belezura de canção que é "Mandigueira" seja jogando toda sua admirável potência vocal para interpetrar quase gritando que a "Carne mais barata do mercado é a carne negra" Elza sabia como controlar a potência, como modular os tons, como hipnotizar o público.
Uma mulher de lutas, muitas delas, injustiçada por ter se casado com Garrincha, o genial cachaceiro que se acabou por si só e que ela acabou levando toda a culpa. Perdeu 4 filhos para a fome e doenças, teve autos, baixos, mas sempre sendo Elza, sempre encantando ao interpretar, sempre sendo alguém a se admirar.
Vai em paz, Elza, descansa após tantas lutas e obrigado por ter sido uma das bases do que eu entendo como arte. Sinto apenas que tenhas ido durante um governo tão imbecil, inútil, que não te reconheceu. Vai em paz.!
É isso
Ouvindo: Elza Soares
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