Bolsonaro na Rússia
Uma de minhas obras favoritas, que ouço sempre e repetidamente sem me enfastiar é o Requiem, de Mozart. Posso Ouvir e ouvir e ouvir e não me cansar jamais. Da mesma forma gosto de ouvir N.W.A, em especial "Fuck Tha Police". Em um dia bom, após ouvir um e outro, posso ouvir "Cio da Terra" na interpretação de Pena Branca & Chavantinho para logo em seguida ouvir Sandi Patty. Meu Spotify é um caos que reflete o caos que eu sou, mas além de chamar de caos, o chamo de plural e é disso que se trata. Pode-se gostar de muitas coisas e não gostar de outras e esta tudo bem, a vida é assim.
Gosto de Melância e não gosto de Banana e suprema irônia adoro doce de Banana. Amei Friends do primeiro ao último episódio e odiei com todas as forças as duas temporadas de "Joey", Spin-Off idiota derivado da série original apenas para ganhar uns trocados já que era uma bobagem sem tamanho. O dinheiro cega as pessoas, pois qualquer amante da série sabia o que esperar de Joey, uma vez que o personagem funcionava inserido dentro do contexto dos seis amigos, jamais sozinho.
Gostar de coisas dispares é normal, afinal percebemos o mundo de uma forma muito peculiar a cada pessoa e isso não interfere nos relacionamentos ou ao menos não deveria interferir. Posso achar Eminem genial e ainda sim reprovar o seu comportamento fora dos palcos quase sempre dado a abusos e falas descabidas. Posso amar Narcos, a série e me lembrar que Pablo Escobar, quase um herói do povo Combiano segundo o recorte da série, era na verdade um frio e maldito assassino, além de terrorista. Os capítulos da série em que ele se reencontra com seu pai, por mais emocionantes que possam ser não fazem dele um bandido arrependido, apenas um bandido fugitivo que sem a quem recorrer, recorre ao pai porque ele mora longe o suficiente para tirar sua imagem ao menos momentaniamente do radar.
Em suma, pode-se gostar do que for e como for a isso eu chamo de pensamento plural que se traduz em um modo também plural de ver a vida e gostar ou não do que se apresenta a cada um de nós e isso é saudável. Ser plural é ser compreensivo, aberto ao diálogo e sem preconceitos. Não é de fato algo fácil afinal todos temos nossos preconceitos escondidos, nossa forma de encarar certas coisas que não nos parecem naturais, mas cabe a cada um lidar da melhor forma com tudo isso.
Mas o que tem a ver a postura de Bolsonaro na Rússia com minha suposta pluralidade e gosto por música e séries? Nada. E tudo. O comportamento do presidente do Brasil além de não ter o menor sentido, de ser abilolado por natureza, é também digno de ser estudado. Pois a defesa que ele faz de valores como a liberdade que ele tanto se arvora de defensor, seja a liberdade de imprensa, seja a liberdade de cada individuo de agir e ser como é sofreu um doro golpe e seu comportamento o fez parecer pouco mais que um hipocrita rematado.
Para alguém que ama a imprensa livre, visitar e mais que visitar, ter o comportamento absolutamente serviu que teve em solo Russo, é uma mostra de que sim, Bolsonaro chancela e aceita a forma com que a imprensa Russa é tratada, com sua censura disfarçada de liberdade, com persiguição descarada a jornalistas contrários a Puttin entre outros desmandos. Tudo o que Bolsonaro gostaria era poder prender uns 10 jornalistas para dar o "exemplo", e sua visita a Puttin deixa isso claro.
Da mesma forma, sua grita contra a vacina, e todo seu esforço para dificultar que ela aconteça em solo nacional cai por terra ao se submeter a fazer não 1, 2 ou 3 testes, mas 5, SIM EU DISSE 5 testes para saber se estava com Covid 19 e uma vez que fosse isento da doença ao menos em solo Russo, poder dar a mão a Puttin e sentar-se ao seu lado. Uma atitude que beira o inacreditável em termos de servilismo de um chefe de estado para outro. Bolsonaro era servil a Trump e agora é claramente servil a Puttin, pois não consegue se olhar no espelho e ver força própria, independência, sendo o seu reflexo o de um homem dominado por seus filhos, um fraco com sérias limitações cognitivas como afirmou o Ministro do Supremo, Sr Barroso.
Bolsonaro envergonha o país que dirige e mostra-se uma pessoa sem opinião, que odeia o Comunismo com todas as forças e au chegar a Russia presta homenagem ao Soldado Desconhecido do país, que pode ser sim desconhecido mas que sem dúvida alguma era um Comunista de primeira. Ao invés de escolher destinos onde a liberdade realmente impera, Bolsonaro foi em busca de reconhecimento de um ditador mal disfarçado de democrata e faz com que nosso país se passe mais uma vez por pária internacional, já que quem se alia a ditador, ditador no minímo também quer ser.
Claro que Bolsonaro não deve nem conseguir distinguir as bobagens que fala e faz pois lhe falta cultura, inteligência e principalmente capacidade de cognição por menor que seja para entender o que se passa com o mundo a sua volta. Tem Bolsonaro não a pluralidade desejada nos seres humanos de bem mas a falta de entendimento que poderia lhe fazer discernir entre Comunismo, Socialismo, Esquerda e Direita pois em qualquer direção que se olhe, Bolsonaro não é uma coisa nem outra. Bolsonaro é e sempre será do tamanho que um deputado federal do baixo clero tem. Quase invisivel, ainda que tenha se tornado presidente da república aproveitando-se dos desgovernos anteriores e de uma série de comportamentos tresloucados que foram tomados por corretos por parte da população.
Resta as pessoas de bem e que pensam de forma democrática deste país, esperar as eleições deste ano e tirar do poder alguém que nem um tiranete consegue ser, pois esta sempre mais ocupado em lamber as botas de alguém que lhe pareça mais forte do que ele mesmo é.
É isso.
Ouvindo: Requiem de Mozart
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