Quando Eu Era Crente

 

Houve uma época em que eu fui realmente crente. Não Adventista, mas crente. Crente no que diz o evangelho de Cristo, crente que haveria uma possibilidade de redenção de meus muito e multiplos pecados, que talvez eu pudesse seguir os passos de J.C e ser um exemplo de retidão e bondade. Eu era muito mais empático, muito suscetível aos acontecimentos a minha volta, pronto em ajudar e certamente uma pessoa melhor do que sou hoje, porque quando se tem um padrão que se busca alcançar, é claro que vamos em direção a ele.

Não digo, evidentemente que quem não é crente (e uso crente como uma brincadeira, o que quero dizer é Cristão no estrito sentido de ser um seguidor de Jesus e seus ensinos, não um religioso de bosta), não possa ser uma pessoa melhor até que aqueles que o são, mas digo que no meu caso, quando eu o era, era sim uma pessoa melhor.

A grande questão é que não preciso ou não deveria precisar estar vinculado a uma linha especifica para ser uma boa pessoa. Ora, se existem Hindus, Xintoistas e mesmo Ateus que são pessoas extraordinárias, porque vincular o Cristianismo a uma suposta boa conduta? Devo ser uma boa pessoa apenas e tão somente porque é o certo, não porque tenho um empurrão de uma crença em um ser superior. Não é fácil, mas creio ser possível.

Não que eu queira renegar o meu passado ou dizer que não creio mais no Cristianismo como método de vida, isso seria uma inverdade a meu respeito enorme. Creio sim, na doutrina cristã e sequer a vejo como doutrina, mas sim como uma estilo de vida. E um estilo de vida plenamente replicável, de forma alguma inatingível ou desenvolvido para gerar culpa e sofrimento. Nada disso.

Confesso que sempre gostei de ter uma rotina que me levava a igreja, me fazia partilhar sentimentos, pensamentos, atos e atitudes com os que pensavam como eu. Enquanto a igreja foi uma bolha, tudo ia relativamente bem. Quando me tornei corretor de imóveis e comecei a perceber a multiplicidade de pensamentos diferentes do meu e formas de ver a vida díspares a minha, foi ai que percebi que talvez não precisasse ou mesmo quisesse viver conforme as regras ditadas por J.C

Ser bom com quem não é bom com vc? Usar de empatia com quem te trata com total desrespeito e uma boa dose de hipocrisia, já que a maioria dos Cristãos são perfeitos apenas  se forem medidos por sua própria régua, não por padrões mais realistas. Tudo isso foi me fazendo desapegar dos ensinamentos de J.C e me fazendo viver uma vida que fosse minha, moldada segundo os meus próprios pensamentos. No princípio pareceu fácil, mas é muito, muito complicado.

Complicado porque meus pensamentos advém dos ensinamentos de J.C. Não sou uma pessoa que tem facilidade em renegar o que Dele aprendi e agora vivo em um limbo onde seus ensinamentos se misturam as novas informações que recebo diariamente que falam se não contra, também não falam a favor de tudo o que aprendi. Quando eu era crente, tudo era mais simples e belo e belo tanto esteticamente, pois existe um padrão, uma métrica na conduta cristã e isso a torna bela de se ver, e essa métrica e esse padrão são extremamente simples.

Quando eu era crente, as coisas eram mais simples. Mais fáceis. Hoje é tudo muito confuso, como este post.

É isso

Ouvindo: 4Him

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