Eu Nunca

 

Eu nunca comi Tarte Tatin. Tão pouco comi Caviar, Scargot, Tiramisu. Sequer comi Mascarpone. Essas coisas muito difetens e requintadas, nunca comi. Foie Gras? Nem sei se escrevi direito, imagine ter colado na boca. Espumantes na acepção do produto, nunca tomei. Não sei o que é cardamomo, creio nunca ter comido. Se já fiquei em pé em uma prancha de surfe? Jamais! Nem sequer vi uma onda maior que as que quebram em Caraguatatuba ou a Barra da Tijuca, no Rio De Janeiro, sinonimos de praias legais para mim.

Embora já tenha andado de avião e helicoptero, jamais o fiz para ir além das fronteiras do meu pais. Nunca andei a cavalo embora curiosiamente já tenha visto algumas partidas de Pólo e sinceramente tenha achado de uma chatice acachapante. Não ter andado a cavalo me lembra que nunca me vesti a rigor, seja como cavaleiros em disputa olímpica seja de fraque para algum evento daqueles excepcionais que exigem esse tipo de vestimenta.

Nunca escrevi um livro, mas a anos venho tentando e quando acho que estou chegando ao fim destruo sem dó os originais por achar que tudo o que foi escreito não passa de uma grande porcaria e muito provavelmente esteja certo em pensar tal coisa. Se um livro nunca escrevi, uma música, já e ela foi inclusive, gravada. é uma mpusica Cristã, escrevi a letra da mesma e me lembro que foi durante uma viagem a  Rosana, no cú de São Paulo, lá onde as pessoas falam esquisito (aos meus ouvidos ao menos, e agem de forma mais esquisita ainda). Só fiz a viagem porque namorava uma menina de bléia na época, a Edilene (única concessão que fiz a namorar com meninas de nomes estapafúrdios por tão bela que ela era) e tive que ir em um ônibus que embora confortável estava lotado de bleianos que não são nada silenciosos. A viagem foi a noite e Edilene queria beijar. Fiz a letra em 10 minutos, ficou muito boa e passei o restante da viagem beijando.

Eu também nunca odiei ninguém embora seja odiado certamente por algumas pessoas. O ódio faz mal e envenena então eu passo. No outro extremo, me apaixonei diversas e muitas vezes por pessoas incríveis que cruzaram meu caminho. Seja aquela paixão avassaladora, seja a simples admiração que se tem por alguém extremamente competente. Nunca me apaixonei por lugares pois quero sempre me sentir pronto a mudar de um lugar para o outro quando necessário ou quando eu quiser. Lugares não me atraem como pessoas então se preciso os deixo sem olhar para trás.

Por nunca ter saido do país nunca vi um jogo de Futebol Americano no estádio, desfrutando da experiência fantástica que isso deve representar. Nunca joguei uma partida de Futebol Americano e nem de Hoquei Sobre o Gelo. Se pudesse escolher, preferiria assistir o Futebol e jogar o Hoquei pois o que me atrai no jogo de Hoquei é pura e simplesmente a violência premeditada contida nele. Enquanto o Futebol tem uma violência necessária, a do Hoquei serve claramente como válvula de escape ja que jamais é necessário prensar alguém contra a parede de vidro e muito menos sair trocando socos no gelo. É  claramente meu lado primal gritando e pedindo mais e mais violência.

Caminhando rumo aos 50 anos, percebo que a vida se de certa forma foi gentil comigo, não me permitiu provar e viver algumas coisas que embora não me façam falta, me despertam curiosidade. Sabores, texturas, sensações e até  medos que nunca provei começam a me questionar interiormente. Embora eu não tenha a menor pretensão de morrer logo, não quero ficar demasiado idoso para sentir algumas dessas coisas. Com ou sem a existência de Deus (e principalmente sem), creio que a vida é uma só e se for colhido por um trem, um carro desgovernado, se entrar em uma vião e ele cair, se uma bala perdida me atigingir, se eu morrer em enfim, existem comidas que quero comer, coisas que quero fazer, aventuras que quero viver.

preciso começar a providenciar algumas coisas ao menos.

É isso.

Ouvindo: First Call



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