Não Sou Fredo, Certamente Não Sou Connie. Também Não Sou Mike. Sou Sonny (Hagen Não Conta)

 

Aproveitando toda a comoção com os 50 anos do lançamento do primeiro filme da trilogia "O Poderoso Chefão" (The Godfather), filme lançado no ano em que nasci derivado do grande livro de Mario Puzo que leva o mesmo nome do filme e que curiosamente Puzo renega pois o escreveu apenas pela grana,  me coloquei a pensar quem seria eu se fosse um dos filhos de Don Vito.

Obviamente não seria Connie, pois Connie é a filha mulher de Don Vito, caçula e mais amada, a que podia tomar liberdaes que ninguém mais tomaria com o Don e que conservava segundo Puzo, um amor infantil pelo pai. Embora Connie tenha cagado ao casar-se com Carlo Rizzi, que lhe foi apresentado por Sonny, sempre bom lembrar, seu amor maior sempre foi o pai.

Jamais seria Freddo o filho lacaio.e inútil de Don Vito que não conseguiu farejar a traição de Paulie Gatto a tempo de livrar o pai de um atentado que quase lhe custou a vida. Freddo era mediocre, fraco, um homem sem aspirações que como dizia Puzo, aos 35 anos morava com os pais. Dizer o que de uma pessoa assim? Sem brilho, para dizer o minimoe no final de tudo ainda se deixa humilhar por adversários do pai de tão fraco que é.

Eu poderia ser Mike? Sim, poderia. Até tenho algumas caracteristicas do filho favorito do Don. Notem que se Connie era a mais amada, Mike era o favorito e uma coisa nada tem a ver com a outra. Mike era como o pai, destinado a coisas grandes, a grandes feitos. Tinha a astúcia e inteligência do pai e não era voluntarioso nem açodado, antes era frio e discreto. Um CEO que toda empresa roga aos céus para bater a sua porta e que Headhunters sonham em achar para ter em seu banco de opções para essas mesmas empresas.

No fim das contas, sou Sonny. O que sempre quis suceder o pai, o que mais próximo dele ficava, o que era voluntaraioso, ansioso, sem freios. O que espancou até quase a morte o amigo a quem apresentou a própria irmã e ccom isso tornou-se o responsável principal pelo casamento de ambos. O que em uma reunião de negócios entregou a divisão que havia no seio familiar e se por um lado Freddo não farejou o atentado contra seu pai, pode-se assegurar que ele só aconteceu por conta da boca enorme de Sonny e sua necessidade de parecer um líder.

Sonny acabou assassinado, mas não sem antes promover uma carnificina em forma de vingança pelo infortúnio que o pai sofreu. Sonny foi o responsável pelo exilio de Mike na Itália por concordar em manda-lo matar Solozzo e o Capitão de polícia que o escoltava. Sonny traia a esposa impiedosamente, Sonny na definição brilhante do pai, era a clava, não a espada, era um executor, não alguém que planeja.

E por tudo isso e mais um pouco eu amo de paixão Sonny Corleone. Violento ao extremo, matava um homem como quem matava uma mosca e tinha ainda sim um coração enorme, que o fez tirar das ruas Tom Hagen um menino a beira da morte e torna-lo seu irmão adotivo e posterior Consigliere (conselheiro), de Don Corleone. Sonny apesar de trair Sandra, sua esposa sistematicamente era um pai e marido exemplar em todas as outras áreas e um filho igualmente devotado. Eu sempre fui Sonny F.C.

Afinal a violência me fascina, não a estilizada por filmes e conversas tortas, mas a real, a que explode em momentos inesperados por motivos impensáveis. Não aquela violência de boutique, a de botiquim. Mas tenho um bom coração e ajudaria a humanidade se pudesse. Sou um excelente executor, sei planejar mas não tenho vontade e paciência para tanto. Meu lado Mike sabe ser frio, mas tenho o sangue quente demais e resfria-lo é algo que não tenho na grande maioria das vezes, vontade de fazer.

Sonny embora tenha terminado seus dias de forma violenta e brutal, um final muito adequado a vida que viveu, ressalte-se, e tenha se imoposto muito mais pelo terror do que pelo respeito como estrategista, foi alguém que amou, que intensamente amou. Alguém que deve ser reconhecido e admirado embora seja um alguém ficcional, evidentemente, é um personagem fascinante. Eu sou Sonny, e The Godfather envelheceu muito, muito bem. Na verdade nem envelheceu, continua atual, estéticamente impecável e violentamente agradável.

É isso

Ouvindo: Cinema Paradiso Love Theme 

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