Quando Me Vi No Espelho
Para mim é estranho me olhar no espelho e evito ao máximo fazê-lo. Quando era jovem, eu amava me arrumar diante dele e sorrir para mim mesmo, pleno de satisfação com a imagem refletida ali. Hoje o espelho me assusta, me incomoda, me intimida. Mas o espelho também me traz uma imensa curiosidade. Curiosidade recheada de dúvidas, de questionamentos que talvez não tenham sentido algum ou possam fazer todo sentido, não sei. Hoje me detive longamente em frente ao espelho e olhava para ele como quem estuda o que vê. Entre o espanto e a incerteza, me detive na questão que aprendi desde cedo em minhas incursões a igreja, aquela que diz que sou a imagem e semelhança de Deus. No meu caso, nada mais falso.
Deus a despeito do imaginário popular não tem certamente uma barba desleixada como a minha e nem uma cabeça com cabelos ralos e faltantes em sua superficie. Deus não tem tão poucos dentes na boca como eu tenho e duvido muito que ele seja feio como eu sou. Não sou certamente imagem e semelhança de Deus no aspecto fisico, isso esta claro. Ok, isso não é um problema, afinal não imagino que Deus seja a cara do Brad Pitt ou mesmo musculoso como o Arnold S.
Mas continuo ali no espelho buscando aspectos que possam me "linkar" com Deus, que me coloquem como um semelhante seu, como uma obra aind que inexata muito parecida com o que ele mesmo é. Não necessariamente um Adão, mas alguém que possa olhar para Ele e sentir-se seu filho, sentir-se parecido. Foi ai que neste momento me lembrei de Rafaela. Rafaela é muito parecida com sua mãe, Seja na aparê cia fisíca como nos trejeitos de fala, na forma de gesticular enfim, muito da mãe dela esta empregnada de forma indelével na pessoa que ela se tornou. Mas Rafaela tem a minha personalidade. Ela pensa como eu, age na maioria das vezes como eu agiria, diz coisas que eu diria, enfim, temos personalidades muito, muito parecidas e isso me fez pensar, voltando para as semelhanças com Deus, que talvez eu seja parecido com ele no sentido de ser como ele, ter o seu caráter, ter a sua persdonalidade. Ledo engano.
Deus, da forma como eu aprendi é perfeito. Absolutamente perfeito. Eu não poderia ser mais torto. O carater de Deus é reto, a integridade é algo inquestionável quando falamos em Deus e eu embora queria ser uma pessoa do bem, derrapo demais em minhas falhas e não chego nem perto de ser parecido com Elecomo Rafaela é comigo. Minha personalidade é muitas vezes dissoluta, tendo ao erro sem me arrepender, e embora busque ser integro e justo muitas vezes deixo a desejar em tudo o mais. Deus não flerta com a violência e ela me fascina, não tem a menor possibilidade de que ele aceite o mau e o mau muitas vezes haita em mim, naquelas áreas sombrias que eu tenho e só eu sei onde ficam.
O espelho me mostrou tantos vazios e tantas areas cinzas que me parece tão impossível ser semelhante a Deus, ser seu filho, ainda que de criação como diziam os mais antigos, que inevitável me é perguntar quem eu sou e de onde fui gerado. Se não sou a imagem e semelhança física de Deus e nem tenho a sua personalidade, o que me resta? Ser um perdido? Eu não tive um pai fisico, real e sinto que não tenho um pai, ou um modelo de pai, celeste.
Eu não deveria ter parado pra olhar no espelho...
É isso.
Ouvindo: Pie Jesu
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