Sean Young e o Boicote De Ridley Scott
Antes de mais nada, embora Ridley Scott seja incensado como um dos grandes diretores americanos, e seja impossível não buir algum valor, nem de longe o considero um dos grandes, alguém que pode ombrear com Terrence Malick, que embora tenha feito muito menos filmes que Scott, fez filmes muito mais importantes, diria mesmo essenciais vou citar apenas "Cinzas no Paraiso" pra não ficar chato para Scott. Ok, ele dirigiu Blade Runner, mas permitiu tantos e tantos cortes, tantas e tanas versões que não da pra saber se a tal versão do diretor é realmente sua visão ou se apenas mais uma versão caça niqueis. O filme é excelente porque QUALQUER imbecil com uma camera na mão e aquele roteiro e atores faria algo minimamente prestável e Scott está longe de ser um idiota quando o assunto é cinema.
Ok, "Alien o 8. Passageiro" é daqueles filmes inesquecíveis mais pelo que não mostra do que pelo que mostra e sim, tem que mosrtar algo porque as pessoas em geral são estúpidas e precisam ver para crer e para entender. Ok, "O Gangster" tem lá o seu charme mas muito mais apoiado na atuação magnética e inacreditável de Denzel Washington secundado por um Russel Crowe afim de trabalhar de novo, um poste poderia ter dirigido que seria o filmaço que de fato é. Agora, vamos lá, o que é aquela baboseira chamada "Até O Limite da Honra"? Puta sessão da tarde mal ajambrada, nada mais. E aquela baboseira em que ele disperdiça o talento de Orlando Bloom, chamada "Cruzada"?
Um diretor que a a cada cinco bobagens descartáveis faz um filme que presta, não pode ser considerado fundamental, e Scott é desse time. Jogam milhões e milhões em suas mãos para ele torrar com bobagens e o melhor filme que ele fez teve um orçamento minúsculo estamos falando por óbvio, de Blade Runner. Sempre o respeitei por ter dirigido um dos meus três filmes favoritos na vida, mas é importante deixar claro que Blade Runner funciona muito mais por conta de seu excelente elenco, desde Harrison Ford até Rutger Hauer passando pela maravilhosa Sean Young, que alias é o verdadeiro motivo deste post.
Sim, Sean Young. Seu personagem frágil, aguardando a morte de forma tão doce e digna, tentando ver sentido onde ele não existe, tentando fazer com que Deckard a veja como uma mulher, não apenas uma replicante até porque ela não se imagina replicante, enfim, quer saber do filme, assista-o. Fato é que essa mulher estupenda, esta atriz incrível de recursos multíplos de atuação foi boicotada após o filme Blade Runner por Scott por se recusar a "namorar" com ele.
Por namorar, entenda transar, é claro, não estamos falando de um convento e sim de um set de filmagens. Young estava no auge de sua beleza e claro que Scott achou que poderia tirar umas casquinhas. Falo deste episódio porque vi uma entrevista de Young onde ela relata ocontecido ontem e embora a entrevista seja do ano passado, sou corretor de imóveis, não crítico de cinema (embora pudesse ser por instinto), e não tenho tempo para ver tudo que se relaciona com o assunto.
Confesso que fiquei chocado. Fiquei mal, chateado, horrorizado e com vergonha mais uma vez de ser homem. Homens adoram envergonhar sua espécie com comportamentos inoportunos e indelicados contra mulheres, sempre sentindo-se donos da situação e donos delas, as mulheres. Fica claro que o relato de Young é absolutamente verossímel e que Scott agiu como um bom canalha. Ao ser recusado por Young tratou de arruinar como pode a carreira da atriz, o que é inaceitável e não seria possível se não vivessemos em um mundo tão machista como o que ainda reina em nosso planeta. Não importa se você é diretor de cinema ou médico ou advogado. A chance de um homem reprimir uma mulher em situação de vulnerabilidade é imensa. A chance de esta mulher jamais precisar se sentir vulnerável e só se sentir porque este homem cria os mecanismos para tal é maior ainda.
Sean Young não merecia certamente passar pelo calvário que passou durante ass filmagens e muito menos ter sua carreira prejudicada porque não quis "namorar" com Scott. Cada um namora com quem quiser e como não estamos falando em namorar mas em dar mesmo, cada mulher dá para quem acha que deve o que já é dela por direito. Ouvir um não jamais deve ser motivo para retaliação. Ou tentativa de suborno, ou de coação ou o que quer que seja. Não é não, simples assim. E embora não seja simples o entendimento por parte da ala masculina, deveria ser.
Quando revejo Blade Runner e a beleza da interpretação de Young, a forma com que sua Rachel é conduzida, me sinto bem por apreciar um trabalho excelente. A partir de agora me sentirei solidário a alguém que mesmo sendo tolhida em suas emoções ainda sim colocou a adversidade de lado e entregou o melhor trabalho que poderia ter entregue. Mulheres são incríveis e algumas são ainda mais incríveis! Homens, de vez em quando acertam.
Vou terminar o texto e assistir novamente Blade Runner. Agora, como forma de homenagem a Sean Young, que não se deteve em seu calvário particular e mostrou ser uma mulher que merece todo o nosso respeito. Parabéns, Sean Yong!
É isso.
Ouvindo: Vangelis
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