Ouvindo Vanusa

 

Um país que teve Elis Regina, Maisa, que tem Marisa Monte, Maria Rita, e isso ficando só no óbvio, porque tem tanta voz linda por ai, tanta mulher que tem a doçura e a potencia reunidas em uma mesma garganta, um diafragma de fazer inveja, enfim, em um país tão abençoado no quesito músicacomo o Brasil, para se superar e ser digna de nota, não é fácil. Nada Fácil.

E é por este motivo que ao ouvir Vanusa, não apenas suas interpretações colossais, mas também suas letras, (sim Vanusa  foi uma letrista admirável), eu me emociono sempre, todas as vezes sem exceção e a coloco em um patamar muito acima da mediocridade reinante no cenário mpusical brasileiro atual. Vanusa foi grande como Elis, e esta acima de Marisa, de Maria Rita e qualquer outra interprete brasileira. Pra ser melhor que Vanusa, precisa nascer alguém.

Claro que voz po voz, Maria Rita é anos luz melhor que a mãe Elis e por consequência melhor que Vanusa. Claro que Marisa Monte tem uma presença magnética no palco que supera a ambas mas o conjunto de voz/interpretação/presença de palco em Vanusa é insuperável. Não há em Vanusa, nada que distoe das caracteristicas que compõe uma diva. E se sua voz não é a mais excepcional entre as melhores, está a anos luz das porcarias que hoje ouvimos se auto designar "cantoras", mulheres que precisam mostrar o rabo, os peitos e sobretudo ter a voz toda arrumada por softwares criados para esse fim.Sendo bem sincero, até Gretchem, que fez do ofício de mostrar a  bunda  algo próximo a arte, cantava muito melhor que essas pseudo cantoras de hoje em dia. (Gretchen, obrigado por junto com Sharon, obscura porém necessária,  Sharon, ter me proporcionado momentos de deleite pleno). Deleite pleno? Ou eu sou gênio, ou não presto mesmo.

Quando ouço Vanusa, o faço por ao menos uma hora pois revisitar suas interpretações é algo que se deve fazer com tempo para entender as várias texturas vocais que ela usava, mudanças sutis de um ambiente para o outro, de um público para o outro e até de um veículo televisivo para o outro. Se com Hebe Camargo ela era anarquia pura, no Globo, era quase servil de tão séria e isso não impactava seu talento, ao contrário, o ressaltava pois ela mostrava que podia ser boa tanto em um ambiente quanto em outro. Vanusa tinha leitura do seu público. 

Sua antológica apresentação em um dos festivais dos anos 60/70 disponível no youtube e que já postei aqui no meu blog, quando defendeu a música "Comunicação", é a maior prova do que falo. Ela entra com um público absolutamente indiferente, quando não hostil mesmo a música que canta e termina a apresentação fazendo este mesmo público cantar com ela, comendo em sua mão. Puro charme, pura sedução, puro instinto. Vanusa, como toda boa interprete tinha instinto, sabia se adaptar as demandas do público.

Como toda diva que se prese Vanusa sofreu por amor e sofreu em público. Deu inúmeras voltas por cima, mostrou-se resiliente algumas vezes, outras mostru-se pouco menos que uma louca e é disso que as divas são feitas, de contradições, de erros e acertos e de uma relação de amor e ódio com o público em geral e de um amor desbragado e incondicional de seus verdaeiros fãs. Eu tolerei tudo e sempre tolerarei o que vier a tona dela, Vanusa, de Michael Jackson e de Whitney Houston e J. Cash. Não são meus ídolos, não tenho ídolos, mas tudo o que fizeram pela música os credencia a serem perdoados por qualquer deslize. Papo de fã, eu sei bem.

Quando ouço Vanusa, me sinto bem, me sinto feliz e é isso que todo artista quer proporcionar para seu público. Claro que as vezes ele precisa tirar as pessoas do conforto, da placidez, é dever do artista também e Vanusa também sabia fazer isso. Obrigado mais uma vez, Vanusa. Por tudo e por tanto.

É isso.

Ouvindo: Vanusa



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