Dom e Bruno (Pelo Amor De Deus, Entreguem a Amazônia a Quem Possa Preservá-la)

 


Poderia ser o nome de uma dupla caipira daquelas bem ruins (quase todas são afinal), mas estes nomes referem-se a  duas pessoas cujo o brutal assassinato acaba de ser revelado. Esquartejados, enterrados longe de seus lares, como animais, que após serem eviscerados e descartados são esquecidos pelo criminoso e pelos mandantes de tão brutal ato. Segundo Bolsonaro, a culpa é das vítimas, e isso não sumpreende, afinal no Brasil  as pessoas são culpadas por serem negras, por serem mulheres, por pensarem diferentes destes animais que nos governam e acham que  Amazônia é deles e não de todos os povos.

Sob Bolsonaro, a Amazônia virou uma vergonha para nós brasileiros. Somos um povo que não consegue preservar de forma alguma seu bem mais precioso que é essa faixa de floresta encravada em nosso território. As poucas pessoas que tentam, acabam assim, mortas, esquartejadas, enterradas em local incerto e pior, como se isso fosse natural, como se elas, as pessoas, tivessem buscado tal destino ao entrar em uma terra sem lei tentando preservar recursos, tentando preservar a vida de indios, tentando explicar o que não precisa de explicação: que aqui é da humanidade, não de caçadores, madeireiros ou pescadores que não visam nada além do lucro fácil, rápido e que acaba com a floresta.

A Funai tentou desmerecer o trabalho de Bruno de todas as formas, desacreditando suas façanhas. Sim, façanhas, pois ser um Indigenista no Brasil, é uma façanha digna de nota. Com sua diretoria atual aparelhada pela corja deste (des)governo de Bolsonaro, tudo o que este orgão público faz é desproteger os indios, deixando-os a própria sorte, em contato com garimpeiros que estupram suas mulheres, que viciam os homens para poder enganá-los, matá-los, dizimá-los, enfim.

A verdade é que como país, nos perdemos. Não existe indignação maciça pelo desmatamento sistemático de nossa floresta e nem pelos assassinatos covardes daqueles que tentam protege-la. Este estado de coisas vai continuar, pois o máximo que nosso povo entende por preservar são as presepadas ditas por um personagem ficcional em uma novela de quinta categoria. Houve um brutal assassinato de dois homens que queriam defender os povos indigenas e sua cultura, que queriam preservar a floresta. A primeira reação deste animal que nos governa foi colocar a culpa nas vítimas. A primeira reação da Funai foi dizer que eles não podiam fazer o trabalho que estavam fazendo o que foi desmentido pelos próprios servidores de carreira da Funai.

Devemos, no meu entender enregar a Amazônia a quem possa preservá-la de fato. Que se cobre uma taxa pela cessão, que se monetize isso de alguma forma, mas que se entregue, antes que ela se acabe, o mais rápido possível. Não temos competência para mante-la sob nossa tutela, não temos capacidade de gerir seus recursos da melhor maneira de torná-la sustentável, de fazer a floresta ser rentável para os povos que dependem dela e vivem na miséria pois são explorados por toda sorte de gente amaldiçoada que da floresta quer apenas o lucor rápido e esquarteja pessoas se preciso for.

O fato de Dom Philips ser Inglês talvez de alguma relevância a este caso repugnante. Sobre Bruno, deveríamos nós brasileiros tomar as ruas e exigir justiça, mas como se a fala de Bolsonaro, esse jeca, maldito foi dizer que Dom "era mal visto por fazer muita matéria contra garimpeiros". O que este quadrupede esperava? Que Dom fosse alguém a falar bem destes bandidos que ele Bolsonaro defende? Este homem perdeu todo e qualquer senso por minimo que seja que ele poderia possuir.

Meus sentimentos aos familiares de Dom e Bruno e que seu covarde e brutal assassinato faça surgir outros tantos que queiram defender a floresta e os indios que lá habitam e que defendam o legado de ambos. Que dia triste para o Brasil.

É isso.

Ouvindo; Milton Nascimento


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