Domingo, 23:00
Está uma noite fria, não tão fria que me faça usar meias, mas fria. Uma noite em que a tv esta desligada e estou ouvindo música. Uma noite que foi precedida de uma tarde morna, onde pensamentos me assolaram e ainda assolam, já que o que mais faço é manter minha mente ativa, pensando, sobre, tudo, sobre a vida, sobre a morte, sobre bananas e melâncias. Flando em melância, outro dia comprei no supermercado perto de casa um pedaço de melância e ele estava podre. Hoje comprei, no mesmo mercado outro pedaço de melancia e adivinhem? Estava podre tambem. Supermercado Sol, da Av Edmundo Amaral, bairro Piratininga, Osasco, vão cagar os donos antes que eu esqueça. Verder comda podre é algo muito feio!
Nesta noite, que precede mais uma semana que vai se iniciar e promete ser cheia de mudanças, lembrei de Whitney Houston e a falta que sua arte me faz, me lembrei de Vanusa, do filme que vi nesta semana que se findou ontem sobre a vida de Elis Regina e de como ele me comoveu, tanto com a interpretação correta e emocionante de Andréia Horta como com a produção bem cuidada, que trouxe o melhor do repertório e da vida da "Pimentinha". Lembrei de minha mãe cantando B.J Thomas para mim em um inglês impecável e como essa mesma mulher se fingia de besta e iletrada na frente de algumas pessoas, sei lá porque.
Nesta noite fiz uma anotação mental para o futuro: Assitir "Onde Vivem Os Monstros" com meu neto Isaque assim que ele tiver uma idade minima para entender o contexto de tão bela obra. Bom, Aos 7 anos eu já tinha lido mais de sei lá, 300 livros, então meu neto vai certamente seguir esta trilha e vai logo entender tudo o que o cerca. Pensei muito em Isaque que foi ver a avó, mãe de Rafaela, que mora em Atibaia, em sua primeira viagem para fora dos limites da cidade que nasceu. Ele nem sabe, mas eu sei e sei que estradas são perigosas e agora que sei que já esta em seu berço, Dormindo, seguro, eu me sinto tranquilo. Só agora.
São 23:14 e continuo pensando em muitas coisas. A mente de quem tem TDAH não para nunca. Lembrei, acabei de lembrar que quando eu tinha 5, 6, 7 anos, andava de mãos dadas com minha mãe e me sentia seguro. Quando ela soltou minha mão, a verdade é que nunca mais me senti 100% seguro. Nunca mais. Acho que ela não me guiou tempo suficiente para me soltar, talvez seja isso. Vou fazer 50 anos no final deste ano e ainda procuro a mão dela as vezes. No meio de dsias de verão, com Sol a pino, me sinto na mais profunda escuridão, e me lembro quando ia a igreja com ela e entõ me acalmo.
Lembrei de uma vez que fiz um teatro na Igreja Presbiteriana em Guarulhos. Uma pela de Páscoa. Eu tinha uns 8 anos, no máximo e o Robson, um rapaz tão bom, tão correto, tão bacana que foi um dos meus modelos de homem a ser seguido e nem sabe disso, me levou para frequentar com ele a sua igreja. Simm minha família sempre foi Adventista, mas um ramo dela era e é Presbiteriana. (espero que estejam entre os salvos na bizarra teoria da predestinação que eles acreditam), mas de qualquer forma fiz parte do caral infantil daquela igreja e fiz esse teatro. Eu deveria ser apenas um dos 3 pastores com apenas uma fala mas acabei me tornando Simão, um personagem que ficava o tempo todo em cena com uma tonelada de falas que decorei todas.
Me lembro do pânico que me tomou quando entrei no salçao dos jovens, no palco improvisado, procurando minha mãe com os olhos por todos os lados. Ela estava na primeira fila de um salão lotado, super lotado. Fiquei tranquilo e desempenhei o papel com graça e leveza. Me lembro de nós dois voltando para casa, tinha uma rua escura pra chuchu no caminho, mas minha mãe ali segurando minha mão, me deixava tão tranquilo que nada me assustava.
Estou fazendo uma lista de músicas essenciais para cantar para o Isaque e estou ensaiando-as com muita vontade. Não posso cantar mal para o meu neto e embroa eu jamais vá ter o talento vocal da avó dele, mãe de Rafaela, que é um assombro vocal, tenho que desempenhar da melhor forma possível. São 23:35.
Eu levanto os olhos e vejo os carros passando velozmente pela Castelo Branco. Tem uma leve bruma caindo pela noite e eu me lembro de quando tinha 15 anos e uma menina de 20, uma mulher, que queria de qualquer forma me beijar conseguiu me conquistar me dando o livro "As Brumas De Avalon" para ler. Eu tinha meio que medo dela, apesar de ser uma moça muito bonita, era minha vizinha na verdade vizinha de bairro, morava na rua de trás em relação a minha rua. Bom, eu já era office boy e pegavamos o ônibus juntos para irmos ao mêtro. Ela sentava do meu lado e ficava puxando conversa. Um dia, me mostoru o livro e o título me deixou mega curioso. O livro é pouco mais que uma bobagem, mas quer me ganhar? Me dê um livro. (Se for do Paulo Coelho, eu jogo de volta em você, caso contratio, me ganhou) e ela me ganhou me dando este livro. E claro, o beijo que ela tanto queria, rolou. Bom, na verdade bem mais que beijos né?
Engraçado que ela me ensinou a gostar do Guilherme Arantes. Tentou me ensinar a fumar também e este foi o ponto final. Fumar? Ecaaaaa! Depois, namorei por um ano com a prima dela. Firme, de andar de mãos dadas e dividir milkshake no Grupo Sérgio da Penha de França. A prima dela, de 23 anos era corajosa de andar de mãos dadas com um rapaz de 16, hoje lhe dou crédito, na época, era meio que escandalo eu com mninha cara de bebe e meu cabelo esquizóide com aquela moça liberada e liberal comendo esfihas e tomando shakes. A familia dela achava um absurdo, minha mãe só chorava, mas foi o ano que mais transei, então pra mim tava valendo. Nõ me entendam mal., aos 16 anos eu não pensava em casar, então transar e muito, estava de ótimo tamanho. Depois de um ano, cansamos, cada um pro seu lado e fui namorar uma menina da igreja. Acho que foi isso.
Ganhei outros livors ao longo da vida e dei vários, livros são o melhor presente par se receber. Juro que se me der uma Ferrari, recusarei, mas se me der um livro clássico, de uma edição especifica, com lombada intacta, enfim, um livro que me faça suspirar, eu te dou a Ferrari em troca. Com o livro, eu viajo muito mais.
Lembranças uxam lembranças e me lembro de uma menina, estudante de arquitetura que me levou para ver "Morte Acidental de Um Anarquista" com Antonio Fagundes. Putz! amei. Mais a peça e bem menos a menina que no final das contas dirigia um Chevette e achava que isso a levava a um outro patamar. Levava, ao patamar da chatice.
São 23:41. Vou dormir. Isaque esta bem, tranquilo e pronto para dormir. Eu queria que Isaque tivesse se chamado Noah. Mas depois que o vi pela primeira vez, percebi que nenhum nome seria mais lindo para ele que Isaque. Há Isaque, vamos ver muita NFL juntos, vamos ser parceiros. Só não posso morrer antes de você crescer. Mas pensando bem, se eu moresse, você estaria livre de uma cia chata como a minha.
É isso.
Ouvindo: Cassiane
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