Pantanal, Resumo Dos Personagens.

 

Não assisti a primeira versão de Pantanal porque eu tinha muitas bocas para beijar nos dias de semana a noite (fim de semana também) e porque quando não estava beijando, estava lendo. Agora, beijando apenas uma boca (muito bem beijada por sinal) e lendo menos, assisto vez ou outra um capítulo desta patacoada a qual chamam de novela. Enquanto escrevo, vou ouvindo e vendo o clip de "Breathe" da banda Prodigy. Só um clipe onde todos estão completamente chapados, tendo visões provocadas por drogas em quantidades colossais, e onde passeiam ratos, baratas, e até um jacaré caminha todo lépido e fagueiro pelo ambiente, poderia me trazer inspiração/vontade, de escrever sobre esse atoleiro de pessoais desajustadas que é essa novela. Não vou usar ordem de protagonismo. Conforme  for lembrando, vou falando.

Mariana, a avó de Jove e mãe de Madeleine e Irma. Uma novela que tenha Selma Egrei em seu elenco, não pode ser de todo ruim, por este motivo o autor tem que se esforçar em esconder sua personagem o máximo possível. As cenas em que Selma aparece defendendo sua Mariana mostram a força interpretativa desta mulher abençoada com capacidade ímpar de atuação. Sua personagem fala sempre as coisas mais bacanas da novela e sua sem cerimonia em destroças pessoas fracas e pouco afeitas a verdade nua e crua com as quais convive é de longe o ponto alto da novela. Pena que apareça tão pouco, ver Selma atuando é colírio para olhos e ouvidos.

Tenório. Murilo Benicio é aquele ator que não erra mas também não emociona. Aposta segura para qualquer papel, pois não vai comprometer mesmo que também não vá empolgar. Tenório é um homem mau, age como um homem mau, fala como um homem mau, é dissimulado como um homem mau e quando precisa ser de fato mau, é pior ainda. Das poucas coisas boas, junto com Mariana, desta novela. Se eu fosse o autor, eles dariam um golpe em Zé Leôncio (falaremos deste traste mais tarde), e ele terminaria seus dias pedindo esmolas no centro de Campo Grande.

Guta. A filha de Tenório, cujo nome da atriz eu não sei e não faço a menor questão de saber, uma vez que um cone interpretaria o papél com a mesma desenvoltura desta atriz,  é aquele tipo de pobre menina rica que quer mudar o mundo desde que possa fazer isso usando o dinheiro do pai. Ao mesmo tempo que inflama a mãe contra o pai, nunca o faz de forma absolutamente contundente, sabendo que Tenório pode lhe cortar a fonte de $$ que lhe garante uma boa vida a qualquer momento. Pensa ser uma mulher liberada, mas é apenas má como o pai, seduzindo homens que passam pelo seu caminho sem nem mesmo saber por que, usando seu corpo e poder de sedução como mera muleta interpretativa. Muito mais interessante ver o pai do que a filha que não passa de uma menininha aborrecida que bem que poderia ser  comida (de forma literal) por alguma fera do Pantanal.

Maria Bruaca. A atriz que interpreta tão infeliz personagem é filha do Genial Renato Teixeira, musico fora do comum, com talento nada menos que extraordinário. Bom, fica claro que quem tem talento na família é o pai. Maria Bruaca é como Guta. Aborrecida, chata para caralho e quando se descobriu traída, só faltou a trilha sonora ser de Marilia Mendonça que sempre receita  uma virada de mesa na base da traição para as mulheres, como se isso fosse toda cura para todo mal. Não é.  Bruaca tenta deixar de ser oprimida para virar opressora, mas o máximo que consegue é deixar claro que basta o marido bater o pé que ela sai correndo. Uma piada que nem graça tem. Um final adequado para ela seria virar sacoleira dessas que pegam o busão em qualquer lugar do Brasil direto para o Brás aqui em São Paulo e voltam com as malas abarrotadas de roupa. Ela não tem a menor classe, e seu gosto para vestimenta bate certinho com o das sacoleiras.

Filó. Filó é a típica empregada que se arrumou com o patrão. Posa de fada sensata mas não tem a menor dignidade interna, sempre tentando defender seu filho, manobrando com as palavras, sorrateira,  achando que ninguém percebe suas reais motivações. Uma personagem fraca e desinteressante e talvez por este motivo Dira Paes entregue uma atuação tão morna. Ao menos é uma boa cozinheira, ao ponto de fazer Graziela, minha esposa, que cozinha divinamente bem na vida real, ter vontade de comer a comida cênica dessa fada ao menos até aqui, insensata.

Tadeu. O tamanho da boca do ator que interpreta Tadeu é inversamente proporcional ao seu talento. Tadeu deveria ser meio tacirturno, casmurrão mesmo, mas é apenas chato. Implora pelo amor de um homem que não faz a menor questão de ser seu pai e tenta impressioná-lo a todo custo. O máximo que conseguiu foi fazer um péssimo negócio que resultaria em prejuizo para seu pai e resolve-lo na base da intimidação. Qualquer executivo sabe que melhor é não cagar do que ter que limpar depois. Tadeu jamais herdará os negócios de seu pai porque se continuar errando de forma tão crassa, vai dizimá-los com seu pai ainda em vida, a menos que Tenório e Mariana se unam para roubar o que resta.

Trindade. A policia, ao menos aqui em São Paulo tem entre seus colaboradores, a figura do "Ganso" Nada além de um fofoqueiro que para andar com os policiais, sobretudo os civis, entrega até a mãe se ela cometer algum deslize. Jamais será um policial de verdade por pura incompetência. Trindade, que é um escândalo de homem bonito, é também um Ganso de Satanás. Fala no Capiroto o tempo todo mas tenta se conduzir como uma boa pessoa. Um personagem que beira a esquizofrenia pura e simples, mas ao menos é um esquizofrênico branco e bonito. Não vai ser morto pela PRF.

O cara da chalana. Não sei o nome do personagem, mas sei o nome do ator, Almir Sater. Outro gênio da música brasileira, foi homenageado pela Globo com um personagem que conduz a chalana (uma espécie de embarcação), rio a cima, rio a baixo. Não acrescenta nada e aparece basicamente levando pessoas e nas "rodas de viola" onde a música Cavalo Preto, reina onipresente, apesar de ser chata para cacete! A música fala basicamente sobre um cavalo de pelagem Preta que se chama Ventania. Melhor seria se o tal cavalo fosse de pelagem castanha e se chamasse Spirit.

José Lucas de Nada. Bizarrice sem tamanho colocar o mesmo ator que interpretou José Leôncio em uma das fases passadas da novela (acredite, essa chatice é faseada), ainda que este ator seja o formidável Irhandir. Um personagem que tenta ser bacana mas não respeita a namorada do irmão, no minimo, merece tomar uma facada. Seria um desfecho adequado para este otário.

Jove. Um playboy de merda, criado com tudo do bom e do melhor, que acha que pode confrontar o pai e depois tentar impressionar o pai, e depois posar de machão, para logo depois querer ser o homem mais que sensível. Não passa de um homem mais que atormentado com um cabelo ensebado e camisetas que tentam ser style mas vestidas por ele passam a ser apenas as camisetas de um bocó. Seu romance com Juma, a mal educada, resvala no risível, no patético, já que ambos não sabem o que querem e enquanto não descobrem chateiam a todos, família, espectadores e quem mais estiver pela frente. Pergunta que não quer calar: Onde esse abestado revela os filmes de sua maquina fotográfica vintage? tem uma fotótica a  beira do rio onde a chalana fica estacionada?

Tibério. Tiozão que curte uma novinha e posa de melhor amigo do patrão. Alguém que basicamente vive de puxar o saco do chefe e guarda suas convicções para si. Sabe que a novinha prefere outro peão mas fica se arrastando de forma deprimente por ela sendo inclusive, esfaqueado por Levi, alguém mais pragmático e violento. Tibério é uma vergonha.

Levi. Um estuprador nato, que se segura apenas para não ser linchado pelos habitantes do Pantanal. Um personagem sem pé e nem cabeça daqueles que existem apenas para provocar ojeriza, para canalizar e pontecializar a figura do mal em uma só pessoa. Dispensável.

Alcides. Onde Juliano Cazarré, um colosso de ator foi amarrar seu cavalo, digo seu burro? Um papél secundário e sem graça apenas para dizer que fez parte deste remake de bosta? Não se sabe se ele é legal, se ele é chato, se ele torce para o Flamengo ou para o Operário de Cuiaba. Só se sabe que levou fora da filha e rejeita (até aqui) a mãe. Um bestalhão que posa de convicto quando eu realmente duvido que ele tenha criado uma convicção sequer em sua vida.

Muda. Sobre esta pesonagem, a novela teria sua redenção se o autor escrevesse uma cena em que alguém ao gritar com ela, recebesse de volta a seguinte frase: Sou muda, não surda. Fora isso é alguém que nem cheira nem fede, ou melhor, deve feder, já que banhos são raros entre os personagens.

Juma. Uma mal educada pessimamente interpretada por uma novata que deveria ter a humildade de saber-se novata e tentar aprender, não atuar como se o jogo estivesse ganho. Não esta. Sua Juma poderia sim ser um personagem cheio de camadas, matizes, poderia ser alguém louca por aprender como a vida funciona, curiosa, com um olhar sempre buscando o novo. Não, nas mãos desta moça, Juma se tornou uma chata tremendamente mal educada que teria um ótimo final caso fosse abatida por um caçador ao virar onça.

Velho do Rio. Osmar Prado, ator de primeira categoria jamais deveria ter se submetido a tal desdita. Um pai que abandona o filho (o que é de se entender, uma vez que José Leôncio é um chato de galochas ao ponto de por o próprio pai para correr), vai morar no meio do mato, eventualmente vira uma cobra Sucuri e tem motivações completamente distorcidas e descoladas do mundo real. Ao menos sua caracterização claramente inspirada no Mestre Dos Magos do desenho Caverna do Dragão, traz alento a quem como eu era fã do desenho. Torço para que ele apareça nos capítulos e fale suas sandices vindas de alguém que parece estar permanentemente muito louco de ácido e depois suma mata a dentro com seus pés sempre rachados pelo contato com a terra.

José Leôncio. Como pode alguém ser tão acabrunhado com a vida sem motivo? Rico, construiu um império do nada, quer ser legal, quer fazer o manejo de seu gado de forma sustentável, quer ser enfim, alguém bacana. Não é. Ríspido com seu filho Tadeu, que trata como se fosse um empregado e que inclusive dorme junto com os outros empregados, constantemente trata mal também a Filó, que por seu filho suporta calada as grosserias de José. Marcos Palmeira deveria ter tido a decência de não aceitar a empreitada, pois muito por culpa de sua interpretação baseada quase que unicamente na expressão !ARRA! e de quantas formas diferentes ele é capaz de ponuncia-la, seu personagem é um fracasso. Deveria virar mendigo após ser escorraçado por Tenório e Mariana de suas próprias terras.

Gustavo. Caco Cicoler é daqueles atores que são verdadeiros carpinteiros do ofício, ou seja, entregam sempre personagens bem elaborados, cheios de nuances, economicos nas falas e precisos nas expressões. Fez de um potencial bosta, um homem que ama demais e não tem vergonha disso. Está de parabéns!

Madeleine. A melhor coisa da novela, de longe. Morreu, ok, mas era libertária, louca, vivia a vida como melhor lhe aprouvesse, ainda que errando para cacete e seus rompantes sejam de arrependimento, sejam de cagadas, eram sempre tão sinceros que não torcer por ela seria uma verdadeira bobagem. Se ela tivesse continuado viva, eu continuaria a ver a novela. Ela morreu, a novela que se foda então. !ARRA!

É isso.

Ouvindo: Prodigy

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