Tudo Que Eu Preciso Que Você Seja, Tudo Que Eu Preciso Que Você Diga

 

Somos, eu acredito, fruto de nossas referências. De nossos aprendizados, de nossa busca por cultura ou o que entendemos por cultura. Fruto de nossas observações e da forma singular como vemos o mundo. A percepção sobre cada fato, cada acontecimento, a forma como lidamos com eles, tudo isso esta ligado a quem somos e quem somos ou quem somos até hoje, até este momento, 23:21PM, 07/06/2022, depende do que nos influêncio até aqui e como.

Frisei data e hora porque sempre podemos mudar nem nossas percepções, sempre é tempo de buscar novas referências, beber em fontes diferentes das que nos saciam a sede até aqui. é possível, ao menos eu creio firmemente nisso, dar uma guinada na forma como o mundo nos afeta e em como afetamos o mundo e tudo o que diz respeito a nós mesmo é o que podemos mudar. O Que diz respeito a outras pessoas, sejam parentes, sejam amigos, colegas, estranhos, parentes estranhos ou colegas desconhecidos, tudo o que diz respeito a alguém que não seja eu mesmo enfim, é impossível de se controlar. No máximo temos expectativas.

Posso convidar alguém a ver um filme que amo por exemplo e ele soar aborrecido a outra pessoa e não tem explicação "brilhante" de minha parte que mude isso. Posso ouvir uma música e sentir asco da canção enquanto quem me apresentou morre de amores pela mesma. O verde pode ser minha cor favorita e despertar ojeriza em outra pessoa. A vida é assim, cercada ao meu entender por refências que nos moldam. Veja, se um Indiano tentar me introduzir ao seu sistema de castas ou a sua forma de relacionar-se com sua espiritualidade, encontrará em mim um muro. Muito provavelmente, o contrário também assim será, uma vez que suas idéias, seus referenciais são outros.

O segredo para que o mundo siga rodando é a pluralidade é o respeito ao desgosto do outro pelo que nós mesmos amamos. É  entender que não gostar de algo que outra pessoa gosta, não é não gostar da pessoa e que entre tantas intercecções, que existem entre duas pessoas, existem outros tantos pontos de convergência que fizeram com que estas pessoas desenvolvessem algo mútuo, quer seja amor, seja amizade, seja respeito, seja admiração.

Tudo que eu preciso que uma pessoa seja ou tud que eu preciso que uma pessoa me diga, esta basicamente no campo das minhas necessidades, não do que pode de fato ser realizado. Até pode e em alguns momento assim será, haverão as convergências, mas na maioria dos momentos, serão intersecções que permearão os relacionamentos sejam em que níveis for que esses relacionamento se derem. 

Eu particularmente, acho ótimo que assim seja, pois eu creio que referências opostas não deveriam gerar antagonismo e sim curiosidade mútua em torno do porque pessoas pensam diferentes uma das outras. Essa curioside poderia gerar aceitação, respeito, afetos e jamais deveria gerar raiva, desamor e principalmente a sensação de que se a pessoa pensa diferente, ou gosta diferente em relação a algo, na verdade ela não gosta de você ou do que você gosta. Por que pensar assim? 

Jamais, eu repito, jamais, eu terei alguém, quem quer que seja que seja exatamente como eu preciso e que diga exatamente o que eu preciso ouvir. Bom seria se fosse, mas não é assim quew as relações se dão. Pensar diferente, agir diferente, gostar diferente é o que nos faz, em última análise, sermos humanos e não robos programados por uma entidade superior que nos faz gostar de tudo igual.

Isaac Asimov,  um dos meus autores favoritos no campo da Sci Fi, desenvolveu as "3 leis da robótica", a Saber: 1. Um robô não pode ferir a um humano ou permitir que um humano sofra algum mal. 2. Um robô deve obedecer as ordens de um humano exceto quando tais ordens entrarem em conflito com a primeira lei. 3. Um robô deve proteger sua própria existência desde de que para isso não entre em conflito com as leis anteriores.

Image se nossas relações fossem pautadas por leis como essas. Conseguiriamos agir dessa forma engessada?  Claro, evidente que não. Somos seres pensantes e seres pensantes processam de forma diferente as informações que recebem e é isso, repito que nos torna humanos e como humanos, únicos. Eu jamais terei alguém que seja tudo o que eu preciso que ela seja para mim e jamais terei alguém que me diga tudo o que eu preciso ouvir e jamais poderei me comportar assim também, sem antes parecer com um robô de Asimov.

A vida, com todas as suas complicações ainda merece ser vivida, mas não é fácil não.

É  isso.

Ouvindo: Her Soundtrack

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