Walter Casagrande e o Futebol Que Se Esvai
Escrevo este post ouvindo Foo Figthers. Tem sido o som que mais ouço ultimamente porque ao ler a biografia de Dave G., o cara mais foda da musica atual e isso já faz muito tempo, eu percebo o quanto o mundo tem ficado cada vez mais chato, insuportável, detestável mesmo. Não há, ao que parece lugar para gente que não se guia pelo statu quo, que não se curva ao establishment, que diz o que pensa e faz o que acha que deve fazer sem se guiar por regras cada vez mais tolas. Wlater Casagrande é exatamente assim, consegue fazer do ato de comentar futebol, umato de resistência política. Claro que não caberia mais na Rede Globo, era questão de tempo. Mas ao contrário do que se possa pensar, foi ele quem ficou grande demais para a Globo, não o contrário.
Vão dizer que ele era um drogado, porra louca que falava absurdos inomináveis para algumas pessoas, que seu ativismo deixava o futebol em segundo plano e vão dizer muitas outras coisas e querem saber? Ainda bem que ele é assim. Ainda bem que estar na Globo não o corrempeu ao ponto de amansá-lo, de silenciar suas ideias e ideais. Ainda bem que ele toma a atitude de sair e o faz de cabeça erguida. O atacante genial que teve a carreira abreviada pelos excessos, não pecou fora das 4 linhas por ser menos do que poderia. Foi gigante em sua pasagem pela Vênus Platinada, foi comentarista mas também foi farol. Digam o que quiserem, Casagrande era o maioral da equipe esportiva da Globo. Perde a emissora ao deixá-lo ir e ganha o veículo que o contratar.
Casão sempre tratou o futebol com a descência que ele merece, com a seriedade que ele tem, sem o chiste, sem aquele distanciamento blasé daqueles que deixam de jogar e se tornam comentaristas, invejosos dos que ficam no campo e que nunca são suficientemente bons para eles. Nunca teve o bom mocismo de Caio e muito menos tratou futebol como mero entreterimento como Thiago Leifert e outros. Critico ácido e ferrenho de Bolsonaro, sempre encheu de orgulho aqueles que amam verdadeiramente nosso país tão aviltado por este ser amaldiçoado.
Sim as cenas de seu carro capotado e ele tresloucado foram fortes, mas ele saiu disso ainda mais forte e exemplar. Sim, seu corpo completamente fora de forma que em nada lembra um jogador de futebol pode chocar alguns, mas e dai? A mente afiada, lúcida, cheia de ideias e projetos dos mais positivos para o país mostram que Casão não foi de forma alguma alguém que se perdeu pelo vício, antes dando a volta por cima e tornando-se exemplo, mostrando que o futebol não é de forma alguma algo a ser tratado como patacoada e sim com e desvelo.
Quem perde com a saída de Casagrande da Globo é o público da T.V aberta que fica orfão de suas análises sempre certeiras de suas tiradas as vezes irônicas, as vezes sérias demais, mas sempre elegantes. Os amantes do bom e velho rock também ficam um pouco orfãos e aqueles que amam a democracia e tudo que ela representa torcem para que sua voz não se cale.
Obrigado, Wlater Casagrande Júnior!
É isso.
Ouvindo: Foo Figthers/ Pantera

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