Alma Atormentada
Admiro profundamente aqueles que tem a alma leve, sem nada a atormentá-la. A minha é um poço de tormentos, de todos os tipos, de todos os matizes. Se me livro de um tormento, aparecem três para lhe tomar o lugar. Eu goataria de ser leve, mas não sei. Tenho mede de sendo leve, flutuar até o espaço sideral. Sim seria bom, é uma bela visão, mas não seria prático. Flutuar esta fora de questão. As vezes me sinto leve, desatormentado (existe desatormentado?) Mas é como a sobriedade para um viciado, uma sensação que passa logo, asssim que p´roximo trago, próximo teco, acontece. No meu caso, que não bebo e nem cheiro, é preciso um tormento do dia ao menos para que possa chamar este espaço de tempo em que fico acordado de "dia".
Gosto de esportes violentos como o Futebol Americano porque a violência estilizada que ele promove me encanta. Gosto do Rock pesado porque guitarras que se comportam como serras elétricas me confortam. Gosto de liquidos ou extremamente geldos ou extremamente quentes para não haver meio termo, para estar no extremo. Pessoas atormentadas não gostam de meio termo, esse tédio.
Não me chame para ver o Por do Sol. é bonito, mas não é uma erupção vulcânica por exemplo com todo aquele magma fervilhante causando medo e destruição. Não me contento com o frio de São Paulo em dias excepcionalmente frios. Queria conhecer o frio do fim do mundo, na Patagônia. Ou da Sibéria. minha alma atormentada não se contenta cpom o princípio das dores, ela quer aquela dor lancinante que nem a morfina cura. Se vai me dar uma surra, esmurre meu rosto e deixe-o marcado, não me venha com socos no abdomem ou linha da cintura, onde uma camisa esconde as marcas. Só escondo que não tenho vários dentes porque ninguém compraria um imóveil de um banguela. Ou compraria, eu mesmo já vendi nesta condição, mas sou exceção, não regra.
Eu não gosto daqueles que usam a beleza das palavras para polir o discurso apenas para parecer educado. Pareça educado rasgando o verbo e ganhará a minha atenção. Encaixe uns palavrões na sua oratória e a mantenha elegante apesar disso e eu tecerei loas em seu nome. Agora se suas palavras, suas atitudes, são todas para parecer leve, para parecer bonzinho, para despertar bons sentimentos aos olhos alheios, eu não te chamo de meu irmão.
Meus irmãos são os loucos, os que gostam da poesia de Walt Whitman, dos escritos de Poe, da quse insanidade de Mary Shelley, da cinismo latente de Jane Austen. Meus irmãos bebem para se embriagar, não com a desculpa tola de que é bom beber, de que é um rito social. Ora, se não vai se embriagar, não bebe, seu tolo! Eu mesmo não bebo para não morrer de cirrose. Tenho um conhecido que consegue sere tão idiota que se diz usuário recreativo de drogas. Usuário recreativo? Jura? Se você usa drogas, deveria budcar a overdose em flash. O resto é bobagem.
Minha alma normalmente atormentada hoje esta em ebulição. Meus pensamento, por outro lado sempre confusos, hoje estão claros, cristalinos como poucos dias eu os pude sentir. Eu to cansado de fingir, de tentar ser o que não sou, de sorrir para o nada para parecer socialmente aceitável. Quem disse que eu quero ser aceito? Quem disse que preciso de aceitação? Eu preciso de paz para ironicamente curtir o meu tormento. Eu não sou brisa, sou tempestade. Sempre fui. Sempre serei. Um tormento que me alucinae me encanta.
É isso.
Ouvindo: Daniel Boaventura
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