Eu Não Choro Por Meus Sentimentos
Comecei a assistir Virgin River. Chorei nos episódios 1 e 3. Vindo para o trabslho hoje pela manhã, vi um passarinho morto na rua. adae barriga para cima as patinhas estavam duras e inertes. A cena me comoveu e chorei. Eu choro por um bocado de coisas na verdade. Até a atuação perfeita da atriz Selma Egrei em Pantanal me arranca lágrimas. Enfim, choro por muitas coisas e não tenho a menor vergonha disso.
Porém, e comigo sempre há um porém, não choro por meus sentimentos. Se algo me diz respeito e me entristece é só isso que me vem, tristeza. Nada além, não me vem uma lágrima sequer. E como se meus sentimentos fossem cargas acumuladas que não se vão, que não saem de mim de forma alguma, apenas vão se empilhando um em cima do ou outro em minha alma e essas cargas me pesam, tornam o caminhar mais dificultoso, o ato de respirar mais cansativo, o olhar, o meu olhar para o mundo se turva com frequência.
Na falta do choro, as vezes eu grito. Mas o grito não lava a alma como as lágrimas eu creio que lavariam. O grito ameinza essa raiva interna que sinto, uma raiva imensa, contínua, díaria. Uma raiva que parece injustificada mas eu sei que deriva desse acúmulo de sentimentos não ditos, não trabalhados, sentidos a sós sem dividir com quem quer que seja. Essa raiva é meu veneno e me consome lentamente.
A mim restaria falar de meus sentimentos mas sequer considero essa opção. Meus sentimentos são meus e os deixo ali onde ninguém pode acessar. é muito mais seguro não ter os sentimentos escrutinados por quem quer que seja porque a certeza de não ser entendido só não é maior do que a de ser julgado. Talvez meus sentimentos não causem lágrimas por serem rasos, não terem a profundidade necessária par me afogar em lágrimas. Ou talvez eu não tenha desenvolvido a capacidade de me comover comigo mesmo.
O fato é que meus sentimentos ficam todos dentro de mim me assombrando, me pesando e fazendo com que eu não consiga progredir sem dispender energia extra. Se eu chorasse, liberaria essa raiva indomada que explode volta e meia e talvez eu fosse mais amigável, mais humano. Se eu pudesse, choraria todos os dias por cada sentimento que me entristece e consome. Se eu pudesse formaria um oceano com minhas lágrimas. Eu seria enfim, liberto.
É isso.
Ouvindo: Amy Grant
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