Sem Título


Eu gostaria de escrever sem sofrer. Apenas escrever sem ficar escolhendo palavras, métricas, sentido, sem ter que ficar pensando se o texto faz ou não sentido, se vai emocionar, causar repulsa ou pior se vai ser indiferente a quem lê. Eu queria apenas escrever. E se ficar bom, ficou. Se ficar ruim, (como sempre fica) paciência. O talento é algo reservado a poucos, pouquíssimos, a almas superiores que flanam muito acima do meu mundo e de minhas possibilidades de compreensão do mundo. Os escritores talentosos olham do seu lugar superior aqui para baixo e riem de minhas palavras contidas em um parco vocabulário que limita a fluidez que um belo texto deve ter. Escrevo aos trancos e barrancos. E sempre, sempre acho que ficou ruim.

Mas independente de ter ficado como ficou, eu preciso escrever. É a única forma de por para fora o que me sufoca o peito, o que fica preso entre minha mente e minha alma, o que flagela o meu coração. O que eu gostaria de viver no meu metaverso. Eu queria só escrever e nem ler depois. Apenas despejar ideias, falar de ideais, contar ao mundo o que se passa comigo ou lançar pistas do que penso e sinto. Eu queria escrever com a caneta ou o lápis, talvez até com a maquina de escrever, jogando pilhas e pilhas de folhas no lixo quando perdesse o rumo da prosa. Empilhando laudas e mais laudas de trabalho bem feito, orgulhoso de ter achado um personagem que pudesse dizer tudo o que sinto. Eu só queria escrever.

Eu queria não ter tanta preocupação com o que vão pensar sobre o que escrevo. Se vão gostar, se vão achar ruim, escrever só por escrever. Ter a sorte de manter ao menos 3 parágrafos escritos de forma linear, mantendo a qualidade. Que as palavras só viessem que se conectassem, que trouxessem brilho a ideia proposta, que não fossem contraditórias, que não brigassem entre si. Escritos até podem ser tortuosos mas porque assim o autor deseja, não pela falta de talento evidente. Eu nunca sei onde esta o começo do que escrevo porque as vezes começo pelo fim e o meio fica lugar evidente porque pode aparecer no terço final. Quem aguenta ler algo assim?

Se meu vocabulário fosse vasto, a vastidão de meus pensamentos seria melhor representada. Me perco em minhas divagações e elas não passam disso, divagações, porque não consigo ter palavras suficientes para torná-las, as divagações em algo que emocione, que inspire. E são exatamente essas aspirações que destroem meus escritos pois a pretensão de ter qualquer tipo de aspiração que seja quando se escreve algo que tira a pureza do texto, que contamina a ideia que poderia surgir que a faz ser um panfleto ao invés de uma obra agradável.

Eu queria apenas, escrever.

É isso.

Ouvindo: Point Of Grace

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