De Como Boy George Ajudou a Moldar Meu Jeito Plural De Ser
Pra quem nasceu em 1972 e cresceu nos anos 80 e tinha alguma inteligência que ia além de gostar de futebol, novelas e outras bobagens, Culture Club foi uma banda essencial na formação tanto musical para a maioria de seus fãs, como comportamental para quem já enxergava mesmo muito novo, além do óbvio.
Claro que toda banda tem que ser reconhecida por seu som, sua música e o Culture tinha talento e qualidades (na minha opinião), o suficiente para vender os mais de 50 milhões de cópias que vendeu ao redor do mundo. Sua música, queira chamar de new romantic, ou new wave tanto faz, sempre foi uma música embalada em arranjos tremendamente bem construídos e interpretados pela voz doce porém potente de George, ganhavam uma projeção que realmente era compatível com sua qualidade. Canções como Karma Chameleon, Love Is Love (o título bobinho esta faz todo sentido), Do You Really Want to Hurt Me ea minha preferida de todas, Mistake Number 3 embalaram casais ao redor de pistas de danças mundo a fora.
Mas o que eu sempre gostei mais que tudo no Culture era a figura de seu vocalista. Boy George não era para amadores. Não se vestia como amador, não se comportava como tal. E independente de sua sexualidade sempre mostrou ser um homem de muita coragem. A forma com que se caracterizava em seus vídeos, e mesmo em aparições de programa de T.V ou shows enfim, me fizeram ver que roupa não define quem nós somos, que sexualidade não define quem nós somos, que comportamentos fora do que se considera "correto" perante a sociedade também não define quem nós somos. O mais interessante é que não sei e nunca saberei se George é ou não uma boa pessoa pelo simples fato de nunca ter convivido com ele, nunca ter almoçado, jantado, andado uma milha ao seu lado conversando assuntos aleatórios.
Porém mesmo sem saber sobre seu caráter, sei que ele sempre me fascinou pela coragem de vestir-se e comportar-se da forma que ele mesmo definiu que deveria. George peitou e venceu vários tipos de comportamentos que pretendiam definir o que é ser um homem, impondo-se pelo talento e pela coragem de ser como é. Importante salientar que nunca quis me vestir como George apenas por admirar sua forma de se conduzir como artista mas aprendi com ela que podemos ser quem quisermos sem ter que necessariamente ofender quem quer que seja e se alguém sentir-se ofendido, quem precisa de apoio psicológico é quem não consegue suportar um homem vestido de mulher ou vice e versa, não quem utiliza tal figurino.
George com sua música e seu comportamento ajudou a moldar a cultura dos anos 80 e sou grato a mãe que tive, que mesmo me mandando a igreja e tudo o mais nunca me impediu de ver e ouvir o que gostava e comentava comigo inclusive que a forma dele de se vestir não era exatamente a de uma mulher, pois ele exagerava na maquiagem e nos adereços, mas que isso em nada invalidava sua arte e ela, Dona Alexandrina se sentia homenageada por ele como mulher por ele gravar daquela forma.
Saudades dela e saudades do Culture Club. A do Culture mato no vocêtubo. As dela, luto para manter vivas as lembranças que tenho em minha mente.
É isso.
Ouvindo: Culture Club
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