Sobre Ficção Científica

 

Meu gênero  literário e também cinematográfico preferido é desde sempre a ficção científica. A capacidade de pensar o futuro (as vezes não tão distante), e como ele se desdobrará, como as máquinas nos dominarão ou servilmente nos ajudarão, dependendo do ponto de vista do autor, se viveremos aqui ou em outros planetas, se a Terra se recuperará das agressões que sofre hoje no presente ou se sucumbirá de vez... 

Enfim, o tema é vasto e seja na quase inocência de "Os Jetsons" e seus carros voadores sem a menor graça no design, verdadeiras carroças voadoras desconfortáveis e pouco práticas ou na opulência nos carrões autônomos de "Eu, Robô", estrelado por Will Smith baseado na obra prima de Asimov, a imaginação pode voar a velocidade da Luz como Interstellar o genial filme de Christopher Nolan ou parecer flutuar como uma pluma no lindamente triste Ad Astra, tão melancólico quanto arrebatador e de longe a melhor atuação de Brad Pitt em todos os tempos (duvido que ele mesmo concorde com essa minha afirmação).

Até C.S Lewis se aventurou de forma brilhante em sua "Trilogia Cósmica" que claro, sendo de Lewis é permeada por conceitos filosóficos. Se Lewis foi filósofo em suas considerações,  Mary Shelley embora não tenha deixado de ser também em seu genial, estupendo e tantos outros elogios possíveis Frankenstein foi mais, digamos, brutal em sua forma de expor o cinismo do mundo ao menos como ela o via. Sua ficção misturada com um relato nu e cru de uma sociedade que engatinhava  no que se pode chamar de ciência e embora ávida por conhecimento não conseguia dissociar moralidade (ou falsa moralidade) que é composta por valores intangíveis  do que era conhecimento, provado em laboratórios ou salas de estudos. Mary levou a ficção científica ao patamar de arte com sua obra prima.

Claro que a ficção científica pode ser assustadora, principalmente quando ela claramente antecipa tendências que logo se tornarão realidade como no caso da série Black Mirror da Netflix que é assustadoramente ficcional e real ao mesmo tempo, trazendo a tona toda a angústia que nos reserva um futuro que está ali, na próxima esquina e não é nada bonito, nem um pouco atrativo e incrivelmente assustador. A ficção científica de Black Mirror expõe nossos medos e nos fascina ao mesmo tempo ao nos fazer olhar para um espelho que de negro não tem nada pois nos reflete exatamente como somos: Frágeis, temerosos, curiosos e com uma coragem que não se sabe de onde vem, mas que tem garantido a evolução de nossa espécie bem como sua permanência neste planetinha azul.

E no final de tudo temos Blade Runner. Baseado no livro "Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas" de Philip K. C. Dike, por si só uma obra que vale a pena ser lida e relida diversas vezes, traz um planeta Terra onde só os muito pobres ainda estão e não obstante estar cercado de tecnologia, ela de nada vale ao estar inserida em um planeta sujo, fétido e condenado a destruição. Os Replicantes, androides tão humanos que não se consegue diferenciar um do outro, estão sendo caçados pois perderam sua utilidade. Um filme incrivelmente trágico e ao mesmo tempo poético que me fez amar ainda mais a ficção científica e que revisito de tempos em tempos.

Seja escrita, seja no cinema ou em uma série de streaming, a ficção científica quando bem feita sempre tem o que dizer a quem com ela toma contato. As obras aqui citadas são apenas a ponta do iceberg de excelente produções existentes para quem ainda não mergulhou a fundo neste gênero tão saboroso. Claro que existe também muita bobagem sob a chancela do Sci-Fi, mas vale vasculhar e achar o que é bom. Uma última dica que me lembrei agora é minha série top 3 entre todas as que vi: Arquivo X. As aventuras de Fox Mulder e Dana Scully são um primor de roteiros bem escritos com diálogos sensacionais e um argumento que te prende do inicio ao fim.

É isso.

Ouvindo Foo Fighter  

Comentários

Postagens mais visitadas