Inventário Contra o Breu
Nunca tive um baú, mas gostaria de ter tido ou de no futuro, ter. Guardar as coisas mais importantes e de tempos em temos rever o que esta guardado. Nas gavetas da comoda cabem as roupas, na sapateira o nome diz tudo, no aparador da sala, badulaques que a enfeitam e na mesa de jantar, um arranjo no centro, geralmente flores sejam elas naturais ou não.
Mas no baú que eu não tenho e fica apenas na minha vontade, vontade esta que mora dentro de mim, eu guardaria as coisas que reamente me tocam. Meus livros, alguns poucos objetos, canecas que eu amo ter, fones de ouvido que eu preciso ter, lembranças em forma de poucas fotos que tenho, dvd's de séries que amo.
Se eu tivesse o tal baú faria uma triagem para caber apenas o que realmente fosse especial como a celeção de Jane Austen, de Virginia Woolf, (ainda não acredito que paguei tão poucos dinheiros pelos livros essenciai dela), as 2 traduções de Frankstein e as 2 de O Poderoso Chefão. Incrível como tradutores podem mudar o rumo da conversa dependendo de como traduzem uma única palavra.
Mas eu acho que no fundo no fundo eu queria mesmo um baú para por as lembranças intangíveis embora reais dos bons momentos que vivi com as poucas e boas pessoas que eu amei e que me amaram de volta. Sim, sao poucas, mas são especiais, são importantes, são fundamentais na verdade.
Eu preciso desse baú porque sinto minhas lembranças mais importantes se desvanecendo como nuvens que se desfazem em meio as brumas da noite que se aproxima em um bosque que sem a Lua a iluminar é apena breu e terror depois que até as brumas se vão.
Onde estarão daqui a alguns anos estas tão caras memórias? Onde eu estarei daqui a alguns anos? Vivo? saudável? Terei morrido será? Eu não sei porque ninguém sabe do seu futuro e se ele de fato a Deus pertence, ele não me revelará? Mas o fato é que eu gostaria de carregar minhas boas lembranças até onde fosse possível, até onde eu conseguisse abrir os olhos e saber que eu ainda tenho domínio sobre mim mesmo e sobre meus atos.
Eu quero poder rir do que me fez feliz, chorar com o que me emocionou, eu quero rever ainda que mentalmente algumas pessoas que passaram tão rapidamente por mim mas fizeram a diferença. Eu quero chorar seja de alegria ou tristeza por momentos que foram tão únicos e por este motivo precisam ser eternizados e hoje eu os sinto deslizarem de dentro de mim lentamente, cada dia um pouco, cada momento uma lembrnaça que se confnunde com outra que me faz pensar se de fato aquilo aconteceu da forma que me lembro ou se esotu misturando as estações e as ideias.
Eu quero um baú. E nele, guardar enquanto posso o pouco de felicidade que me resta.
É isso.
Ouvindo: Right Now o excelente álbum do Heritage Singers
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