Neymar e o Crepúsculo da Vila
Robinho Jr. deu um drible em Neymar em um treino qualquer, neste último domingo, no CT do time profissional do Santos. Neymar não reagiu bem. Quase saíram no tapa após o ídolo ameaçar — e concretizar — algum tipo de agressão ao menino. Robinho lembra, no comportamento de driblar sem ver a quem, ninguém menos que o próprio Neymar daquele tempo em que ele ainda gostava de jogar bola.
Não sei o que este acontecimento revela de pior: se é o fato de o Santos ter virado um lugar sem eira nem beira, onde coisas absurdas acontecem e ninguém liga, ou se Neymar — aquele que um dia jogou e hoje só finge — perdeu totalmente as estribeiras. Ele age como um lunático que ou sabe que vai para a Copa, ou sabe que não vai.
Ninguém que vive a real expectativa de ser convocado para o maior evento esportivo do mundo se comporta dessa forma. Vivem de maneira tão errática apenas aqueles que já têm a vaga garantida ou aqueles que já sabem que estão fora. Espero, para o bem do Brasil e de suas já parcas chances de fazer um bom papel na competição, que ele não vá.
Neymar é o passado do Santos; Robinho Jr. é o futuro que talvez não se concretize, pois Cuca gosta de novinhas, não de jogadores jovens. Ao menos não de Robinho, pois não lhe dá oportunidades que se traduzam em minutagem real em campo.
Neymar, por seu turno, joga quando quer e o tempo que quer. Todos, de forma submissa, aceitam a programação que dele vem, não como sugestão, mas como imposição. Fica claro que o Santos, hoje, é comandado por Neymar e seu pai. A vergonha que qualquer torcedor de bom senso sente ao ver seu time indo ladeira abaixo só aumenta a cada jogo. Agora, parece que até os treinos se tornaram locais propícios para nos envergonhar também.
O Santos, o clube brasileiro de maior projeção mundial por conta de suas glórias passadas, é hoje uma agremiação que se perde a olhos vistos. Vê seu prestígio escorrer pelo ralo de sucessivas péssimas administrações que dilapidam o pouco que resta de nossa credibilidade como time.
Manter Neymar e seu pai em nosso meio é o mesmo que pedir para chegarmos, de maneira rápida e infalível, ao fundo do poço. E o poço é sempre mais profundo do que imaginamos, mas uma hora ele mostra o seu fim. No caso, o triste fim do Santos FC.
É isso.
Ouvindo Charlie Brown Jr.
Comentários