Pardieiro, Planilhas e Ideologia: Um Olhar sobre a Greve na USP


Todos os supostos motivos elencados pelos alunos da USP para a (mais uma) greve que estão realizando podem até fazer sentido. O CRUSP, todos sabem, não passa de um pardieiro mal-ajambrado — e falo com propriedade porque já estive por lá. Só que, por ter visto as instalações com meus próprios olhos, sei que grande parte dessa responsabilidade é dos alunos, que tratam o espaço como se fosse a casa deles (não é) ou, pior, como se fosse casa de ninguém. Duvido que, em suas próprias casas, seriam tão sujos e teriam tão pouco apreço por questões como higiene coletiva e mínima manutenção dos espaços. Claro que não são todos, mas a maioria trata o CRUSP como o que ele não é: um lixão.

Quanto à ajuda de permanência estudantil, que segundo eles é irrisória: sim, o valor é baixo, concordo. São Paulo é uma cidade cara. Mas estariam esses jovens dispostos a apresentar planilhas detalhadas de como gastariam um dinheiro que é público? Se sim, apoio o aumento; se não, se acham que devem receber verbas públicas apenas por estarem cursando a USP, calem a boca e vão estudar. Dinheiro público deve ser usado com responsabilidade e, nesse caso, com quem mais precisa — não com jovens de classe média que querem mudar o mundo, desde que seja com o dinheiro dos pais.

Sobre o Bandejão: se as alegações de comida ruim e, por vezes, estragada forem verdadeiras, não há o que discutir; que se mude imediatamente o que é servido. Apenas duvido que jovens inteligentes (ao menos em teoria) precisem recorrer a uma greve para mudar tal cenário. Duvido que não possam se reunir e pensar em ações mais efetivas — e até bem-humoradas — que capturem a simpatia da população para a sua causa. Ninguém quer ver o futuro intelectual do país comendo mal, afinal de contas.

Já a questão da remuneração de docentes e funcionários: desde quando isso diz respeito aos alunos? Daria um bom debate, mas, de novo, greve de alunos por essa questão? É piada, e de mau gosto. Parecem um bando de manipulados pelas "tias" e "tios" que lhes dão aulas. Existem formas bem mais inteligentes, ácidas e efetivas de lidar com esse tema.

Sobre saúde e segurança no campus, a questão é de extrema importância, sem dúvida. Mas façamos um paralelo interessante: e se os policiais militares e civis de São Paulo também fizessem greve por serem mal remunerados, exigindo aumento imediato? A população apoiaria? O governo cederia à chantagem? Sim, isso seria chantagem, não greve. Quanto aos alunos, fazer greve é uma chantagem que beira a chacota contra eles mesmos, pois a população não dá a mínima bola. Com certeza existem soluções mais inteligentes para resolver a segurança e a saúde no campus.

Queridos alunos, a USP não é de vocês; é um equipamento público. Voltem às aulas imediatamente. Esse negócio de ocupar o prédio da reitoria beira o nonsense. Onde estão os pais desses moleques? Se minha filha estivesse metida nisso, eu a colocaria de castigo, sem acesso à internet por um mês, pois isso é um deboche para com a população — a verdadeira dona da instituição.

Fica o conselho: votem! Engajem-se na política, tenham atitudes propositivas ao invés de parecerem adolescentes birrentos. E não esqueçam: levem uma blusa ao sair de casa ou do CRUSP; estamos no outono e sempre pode esfriar. Ai, ai, ai, viu?

É isso. 

Ouvindo: MXPX

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