A Seleção sem Povo e a Copa das "Bets"
A Copa do Mundo dos EUA, Canadá e México começou com cerimônias de abertura modorrentas (para não dizer exasperantes de tão chatas), o que já era de se esperar, afinal, produziram três festas quando apenas uma bastaria. Felizmente, a bola rolou com belos jogos e belos gols. O Brasil, como qualquer observador atento e racional preveria, começou tropeçando. E, apesar de eu esperar que a Seleção avance além da fase de grupos, dificilmente chegará a uma colocação relevante — pois, para nós, brasileiros, relevante é apenas o título, e este só virá por milagre.
Ancelotti parece mais interessado em 2030, e talvez não esteja tão errado. Muitos jogadores deste atual ciclo estarão mais maduros e calejados lá na frente, enquanto outros, que hoje vivem seus últimos momentos, terão que passar o bastão para os jovens que vêm pedindo passagem. Ainda assim, poderíamos ter levado uma seleção mais competitiva e menos midiática. Boa parte deste elenco está mais preocupada com a repercussão de suas atitudes e falas fora de campo do que com o futebol apresentado dentro das quatro linhas. Ganham milhões em moeda forte lá fora e perderam a fome de representar o Brasil que vimos em gerações passadas. E não, não sou saudosista; esta é a mais pura verdade.
Não existe uma conexão real do povo com esta Seleção. Sem essa sinergia, somos incompletos — tanto o time em campo quanto nós, o povo que assiste. Por mais que as marcas patrocinadoras tentem vender a ilusão de que "somos um só" neste período, a verdade é que a Seleção não abraçou o povo, e o povo não a abraçou de volta.
Some-se a isso o advento das malfadadas BETS. Além de destruírem o orçamento familiar dos mais humildes, as apostas reduzem o esporte a um mero jogo de azar, transformando o amor à camisa em uma descarga passageira de adrenalina. Elas nos tiram o ímpeto de torcer como se deve, desviando a paixão para algo marginal: apostar no placar, em quem fará o próximo gol ou em qualquer outra porcaria do gênero.
Ainda podemos nos conectar. A Copa é longa e, se eu fosse o Carleto, tentaria trazer o povo para o lado da minha esquadra. Dá tempo. Mas falta vontade para o pessoal que comanda a bola brasileira hoje em dia. Que pena.
É isso.
Ouvindo: Luís Airão
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