EUA: A Potência Erguida por Imigrantes que Hoje Fecha Suas Portas
Omar Artan, árbitro de futebol da Somália, foi impedido de entrar nos Estados Unidos para apitar os jogos da Copa do Mundo que se inicia esta semana. Se, por um lado, é lamentável que sob a patética justificativa oficial de “falha na verificação de antecedentes” Artan tenha sido privado de representar seu país — que, diga-se de passagem, nunca esteve em um Mundial para jogá-lo —, por outro, ele deveria sentir-se aliviado. Aliviado por não partilhar o mesmo espaço que o governo misógino, racista e fascista que hoje comanda os EUA.
Em que momento o país que foi construído com o suor de imigrantes de tantas nacionalidades diferentes tornou-se esse lugar repulsivo, que olha apenas para o próprio umbigo e quer distância dos povos que ajudaram a forjar sua identidade? Ora, não se pode negar que, sem os imigrantes — incluindo aí, historicamente, a brutal contribuição dos africanos —, os americanos jamais seriam a potência que são hoje.
Uma Copa do Mundo vai, ou deveria ir, muito além de um mero torneio entre as melhores seleções do planeta. Ela representa uma oportunidade ímpar de promover um genuíno congraçamento entre as nações; uma verdadeira onda de empatia, solidariedade, amizade e real afeto entre os povos. Ganhar ou perder é uma mera questão desportiva. As histórias reais, aquelas que merecem ser contadas a cada quatro anos, falam de superação, renúncia, desapego e, sobretudo, de suor. Mas não o suor do combate cego, do um contra o outro como se fôssemos inimigos, e sim o suor que vertemos por nossa pátria e que serve de exemplo tanto para derrotados quanto para vencedores.
Ao apertar o cerco contra ameaças invisíveis que nem ele próprio sabe explicar, o governo americano mancha a história dos Mundiais. Barrar o melhor juiz africano de 2025, eleito pela confederação de seu continente, baseando-se em motivos escusos e sem sentido, envergonha a maioria do povo americano — aquela parcela que ainda acredita em valores reais como a fraternidade e a igualdade. Enquanto isso, o comando supremo do país aposta no discurso de ódio, criando barreiras intransponíveis apenas pelo prazer autocrático de poder agir assim.
Infelizmente, esse exemplo contamina as relações internacionais e divide ainda mais um mundo onde a união se faz tão necessária, sufocado por tensões que essa mesma mentalidade ajuda a alimentar. Resta-nos esperar que, assim como o público presente no jogo 3 das finais da NBA vaiou de forma contundente a figura presidencial durante o hino nacional, o restante do país, no momento certo, responda à altura: impondo uma derrota acachapante nas urnas.
É isso.
Ouvindo: We Are The World
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