¿Por Qué No Te Callas? O Declínio da Etiqueta Política
Às vezes, o melhor a se fazer é guardar silêncio. Não responder ao que é dito, sabendo que, embora ouvir seja melhor do que ser surdo, muitas vezes o que se ouve não faz o menor sentido.
Faço esse preâmbulo para falar sobre o presidente da Argentina, Javier Milei, que esteve no Brasil para participar de uma convenção política — evento que indicou o nome de Flávio Bolsonaro como pré-candidato do PL à presidência. Na ocasião, Milei resolveu, de forma absolutamente deselegante, ofender autoridades brasileiras, sem se dar conta de que, com isso, ofendia todo o povo brasileiro — ainda que parte da população compartilhe de suas ideias.
Milei atacou o ministro do STF, Alexandre de Moraes, de forma gratuita e inexplicável para um chefe de Estado em visita a um país vizinho. Na verdade, mesmo que estivéssemos na outra ponta do sistema solar, a agressividade de suas palavras continuaria sendo injustificável. Por mais que atue como uma caixa de ressonância das ideias de Donald Trump na América do Sul, sua conduta rompe os limites do admissível.
Existe uma etiqueta, um protocolo diplomático a ser seguido quando presidentes visitam nações estrangeiras. Milei pode discordar da linha política do governo atual, da condução do nosso Itamaraty ou das decisões de Alexandre de Moraes. O que ele não pode, sob hipótese alguma, é recorrer a um vocabulário vulgar para se referir a uma autoridade local.
Grosseria. Este é o nome: grosseria. Não é assim que dois países fronteiriços se tratam. Se algo incomoda o presidente argentino no Brasil, ele deve recorrer aos canais diplomáticos e externar sua posição com elegância. Afinal, Milei não é Trump, e poucos o levam a sério além de suas próprias fronteiras. Ele não é um estadista reconhecido em seu país, tampouco fora dele. Foi deselegante, para dizer o mínimo, e deveria se desculpar oficialmente com a nação que ofendeu.
Porém, tudo o que está ruim pode piorar. O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, achou por bem responder chamando Milei de "palhaço". Ora, se é lamentável que um presidente em exercício ofenda um ministro estrangeiro, é igualmente reprovável que uma autoridade do país ofendido rebaixe o nível do debate para responder na mesma moeda.
A Durigan bastaria o silêncio — o desprezo refinado que esse episódio merecia. Se a Milei faltou diplomacia, à resposta brasileira faltou a sutileza do verdadeiro estadista. A ambos, cabe o conselho que o Rei Juan Carlos da Espanha deu a Hugo Chávez, outro mestre da insensatez verbal: "¿Por qué no te callas?"
É isso.
Sigo refletindo por aqui, acompanhado pelo que a Argentina tem de melhor: Astor Piazzolla.
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