Entre Nadabe, Abiú e o Banco Master

 

Eu me pergunto — após ver o demolidor vídeo de Fábio Porchat em seu canal sobre as atrocidades cometidas por essa gente da Igreja Batista da Lagoinha (que eu chamo de Igreja Batista da Lagoinha do Fogo e Enxofre), que usaram a igreja para operar esquemas, enganando os fiéis com cartões bancários que ofereciam crédito a juros escorchantes que fariam agiotas profissionais corar de vergonha —, eu me pergunto: onde está Deus neste exato momento?

Sim, a pergunta poderia ter uma ponta de hipocrisia se eu me declarasse um cristão exemplar. Eu erro para um caramba, em todos os sentidos da minha vida. Mas, ainda que eu me declare apenas como alguém que quer desesperadamente crer em Deus para achar um sentido para a existência — embora não consiga —, e ainda que eu dissesse "eis-me aqui, Senhor", eu teria, sim, o direito de perguntar onde Ele está agora. Por que não vê e não pune tamanha sujeira feita em templos que deveriam ser espaços para Sua honra e glória, mas se tornaram lugares onde a podridão caminha lado a lado com aquele pobre irmão que vai ali buscar alívio para suas dores e uma conexão genuína com Cristo?

Essas pessoas operaram um dos esquemas mais pútridos e indecentes de que se tem notícia e, ainda assim, falam como se fossem porta-vozes de Jesus. Enganam a seus irmãos de fé, ao país e a todos à sua volta com pose e discursos sobre família, aborto e fidelidade conjugal. Nas horas vagas, esbaldam-se com o dinheiro amealhado de uma população pobre e desvalida — gente que nem sabe o que os fundos de previdência faziam com seu dinheiro, e muito menos o destino dos dízimos e ofertas entregues a André Valadão e seus asseclas. Sim, asseclas. Pois ele não tem assistentes, diáconos ou presbíteros; tem cúmplices que se juntam a ele para extorquir os fiéis que entram na igreja com esperança no coração e saem com as carteiras vazias.

Onde está Deus que não os pune, assim como fez com os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, mortos instantaneamente ao levarem fogo estranho ao templo? Embora eu desconfie que Valadão e sua irmã Ana — que é bem mais esperta e foi "evangelizar" no Texas (como se o Texas precisasse de missionários; melhor seria se tivessem aberto uma igreja em Arequipa, no Peru) — sequer saibam da história dos filhos de Arão. Eu sei que Deus os observa, caso exista, e me observa também. Estou bem ferrado no Juízo Final, mas por motivos outros, não por roubar o dinheiro de fiéis.

Em momentos como esse, quero ainda mais que Deus de fato exista e que esses hipócritas, ególatras e arrogantes recebam todas as punições a eles reservadas. Lamento profundamente que o nome dos Batistas — uma instituição séria que, independentemente de ter um sujeito desses em suas fileiras, nada tem a ver com sua safadeza — vá de roldão. Aproveito para esclarecer a quem me lê que a estrutura da Igreja Batista não é perversa como a dele. Da mesma forma, lamento que a memória de Jaime Wright, brilhante pastor presbiteriano, seja conspurcada por André Mendonça, o "terrivelmente evangélico" ministro nomeado por Bolsonaro ao STF. Por favor, não confundam os seguidores da Teologia Reformada com quem usa o nome de Cristo para operar como braço político.

Todos esses — e eu puxando o cordão dos fodidos no Dia do Juízo Final — vamos acertar contas com o Criador. Mas seria de bom tom que a justiça brasileira fizesse alguns deles acertar as contas com a justiça dos homens o mais rápido possível.

É isso.

(Ouvindo: Pie Jesu)

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