Cartas Que Nunca Chegarão
Paula Toller, sempre brilhante, cantava há muito tempo (e creio que ainda canta em shows eventuais do Kid Abelha) para Alice não escrever aquela carta de amor; pois, segundo ela, não saberia o que responder. Bom, eu saberia o que responder se recebesse uma carta de amor. Na verdade, eu anseio por uma. Anseio por uma carta que nem precisa ser, estritamente, de amor — apenas que me diga palavras positivas, que não me critique e não enumere tudo o que fiz ou faço de errado. Uma carta que fale sobre algo bom que eu tenha feito ao longo dos anos, ou mesmo há pouco tempo. Eu a consideraria uma carta de amor. Se chegasse às minhas mãos, eu seria feliz como há muito não sou. Sendo feliz, acho que dançaria como o personagem de "Valsinha", onde Chico Buarque e Nelson Gonçalves cantam que os amantes se puseram a rodar no meio da praça; e entre risos roucos e gritos loucos, o mundo amanheceu em paz para eles. A música não menciona o quanto viveram sem esse despertar pacífico. Meu amanhec...