A Caixa Craniana Desincha
É como se fosse um rio represado que por dias e dias não pôde seguir seu curso e cujas águas acumuladas fossem tomadas pela fúria com que a natureza, vez ou outra, reveste os seus elementos. Então, esse rio caudaloso, parado por alguma força externa, rompe com tudo o que está à sua volta para poder finalmente seguir seu caminho. Ele não pede licença: ele vai e destrói o que até há pouco o segurava, e, na sua sanha de prosseguir, derrubará o que mais vier pela frente. Assim sou eu com a minha necessidade de escrita. Se fico muito tempo sem escrever, sinto a ebulição das palavras dentro de mim querendo jorrar, querendo que eu as jogue para o mundo. Se alguém quiser pegar e ler, que pegue; se não quiser, não há problema, porque no mundo elas já estão. As palavras para mim têm vida própria, e as minhas têm uma cadência só dela também. Confusa, caótica mesmo, mas real e intensa. Se não escrevo, sinto dores — e isso não é figura de linguagem. Necessito de um alívio para as mazelas da vida, e...