terça-feira, 28 de maio de 2024

Não Sei Escrever

 

Eu vejo tantos filmes legais e leio tantos  tantos livros necessários. Eu escuto toneladas de músicas diariamente e sem elas nem sei o que seria de mim. Eu vivo momentos inusitados, divertidos, trágicos, vivo uma vida caótica e divertida e ao mesmo tempo nem sei ser feliz direito. Eu vendo imóveis e algumas vendas são tão inusitadas ou  bacanas ou mesmo sofridas que mereciam ser relatadas. Na verdade, se eu descer agora para comer um pão com ovo no boteco aqui da esquina da rua que trabalho, a chance de algo digno de relato acontecer é grande. E é por tudo isso, por este motivos, por essas vivências, esses momentos que passam pela minha vida, que eu gostaria de saber escrever.

Não saber escrever me atormenta. Não saber escolher as melhores palavras, não ter a menor paciência para editar meus próprios escritos, ter um vocabulário limitado, um linha de raciocínio pequena e pouco produtiva, tudo isso me faz ser triste. Triste por não conseguir colocar de forma minimamente elegante e mais que elegante, minimamente inteligível os meus pensamentos, minhas verdades, minhas histórias. Triste por me perceber limitado, sem conteúdo, sem cultura o suficiente para fazer com que pensamentos virem palavras e palavras prendam o interesse de quem lê e esse interesse vire desejo por mais e mais textos escritos por mim.  Esquece. Ler um texto meu é excruciante, uma caminhada por um deserto de ideias, de sentimentos. O que escrevo são como grãos de areia que preenchem não uma obra de arte mas um deserto causticante e tenebroso que não oferece nem sequer um oásis no meio dele, algo que se possa ler e dizer "olha, ao menos tem isso aqui de bom, de interessante". Não. Cada letra de meus textos são como grãos de areia que são jogados de um lado para o outro sem conexão entre si e sem conexão principalmente com quem os lê. Não são textos, são uma farsa que se desdobra em outra farsa e outra e em outra, pois eu mesmo sou uma farsa.

Não que eu seja u farsante que quero enganar as pessoas. Eu engano a mim mesmo a cada vez que me disponho a escrever o que quer que seja. Tento me convencer que sou capaz, quando na verdade não tenho a menor capacitação para sequer tentar escrever o que quer que seja, quanto mais conseguir produzir algo que seja palatável. Me engano o tempo todo publicando escritos para desavisados que leem as bobagens que público. Que triste.

Eu queria ao menos uma vez, uma única vez escrever algo que pudesse ser digno de me orgulhar e digno de ser lido por outros. Tenho imensa vergonha de todos os meus escritos e mais vergonha ainda quando penso que tem gente os lendo. Que triste.

É isso.

Ouvindo: Heritage Singers


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