Algumas pessoas estão sempre sorrindo, dizendo coisas espirituosas, fazendo coisas interessantes, postando essas coisas, sejam viagens, jantares, passeios, encontro entre amigos e no mundo das redes (ante)sociais, todos são absolutamente belos e corados com seus filtros que os deixam ainda mais perfeitos do que são de fato. Eu admiro a perfeição dessas pessoas. Elas vivem indo as casas umas das outras, nunca estão em suas próprias casas pois isso seria uma admissão de derrota, de falta de traquejo social, falta de convites é a mesma coisa que fracasso então essas pessoas se esforçam para estarem sempre no topo das listas de convites.
Eu por meu turno tenho preguiça de ser sempre espirituoso, então prefiro ser sincero e sinceridade é um ingrediente muito perigoso se usado sem parcimônia, melhor dosar bem para não ser mal visto. Tenho medo de ser convidado para ir a casa de outras pessoas pois não tenho de fato o tal traquejo social e quase sempre meu comportamento é tomado por inapropriado e minhas palavras são desnecessárias. Eu não sei sorrir o tempo todo e sendo bem sincero, raramente eu sorrio, acho chato demais ficar sorrindo para deus e o mundo ainda mais sem vontade.
Chego a conclusão que ser feliz da muito trabalho. Sempre dizendo coisas certas, sempre se comportando como se espera, sempre visitando pessoas, locais, escolhendo filtros para fotos... Ufa! Será que não da pra ser feliz de forma mais simples? Só sendo? Apreciando mais que mostrando, Vivendo mais que posando, convivendo mais que interagindo, chorando com os que choram, sendo empáticos com os que precisam de nossa empatia, ajudando os que precisam, enfim, deixando a perfeição que a felicidade para consumo de outros exige.
A felicidade cultivada para si mesmo é mais simples e mais fácil de alcançar eu penso. E certamente ela acaba irradiando ainda que de forma mais suave para outras pessoas. A felicidade que vem de dentro pra fora não precisa ser postada e se não precisa ser postada, não precisa de filtros apropriados, não precisa ser compartilhada em viagens, jantares, em exaustivos encontros onde vinhos e outros alcoólicos são aditivos eficazes para a falta notória de assunto quando tudo esta "in natura".
Essa felicidade que me refiro é aquela que infelizmente não sentimos todos os dias, pois é impossível ser feliz todos os dias e sermos humanos. Na verdade, como bem mostrou Blade Runner, ainda que fossemos "replicantes", robôs de última geração, ainda sim, não seríamos felizes todos os dias. E não é que eu jogue contra a felicidade diária, mas ela simplesmente não existe. E é exatamente pela compreensão não verbalizada desta verdade que muitos criam a felicidade para consumo externo, a felicidade do Instagram, das redes sociais, dos encontros entre infelizes que aditivados por álcool, ou drogas ou ambos ou apenas simples arrogância deixam um rastro de risos frouxos e olhares toldados para as lentes do i-phone e um vazio imenso na alma.
Eu que não sei ser feliz para redes mas as vezes até tenho momentos de felicidade esparsa, me espanto com o esforço digno de Hércules que tantos fazem para tanto. Ser feliz da muito trabalho e eu tenho preguiça.
É isso
Ouvindo: The Police (sou um velho, ouço música de velho. de velho, mas boa.)
Nenhum comentário:
Postar um comentário