quinta-feira, 4 de julho de 2024

Mel, Minha Gata Garota

 

A minha história com Mel, minha gata garota se confunde com minha história com Graziela. Enquanto Graziela é minha gata garota humana que eu amo, Mel é minha gata felina que eu amo também com todo amor que um ser humano pode sentir por seu bichinho que alguns chamam de "estimação" mas eu chamo de razão do meu afeto.

Mel é ranzinza como eu memso sou, casmurrona na maioria das vezes e tem um mal humor que chega a ser engraçado. Deem a casa para gatos mais luxuosa que o dinheiro possa comprar e ela vai preferir as caixas onde vem as botas que compramos para Vitória. Comprem os comedouros mais chiques e ela vai preferir os que tem a quase 10 anos. Não, ela nãom  é um ser que refuga o luxo em troca de uma simplicidade suspeita. Ela esta mais para uma estoica, nada emocionada que leva sua vida guiada pela razão e agindo sempre com serenidade onde outros gatos (e também seres humanos), se emocionariam até chegar as raias da falta do bom senso. Mel, com seu olhar plácido, cativante, sempre se mostra perto, ainda que a uma distância segura.

Adotamos Mel, Graziela e eu, poucos meses após nos casarmos. Por este motivo disse que nossa história se confunde e mais que se confundir, se embaralha, já que fomos buscá-la em um lar onde ela com meses de vida, compartilhava a sua com outros 26 felinos. Isso mesmo, 26. E não, não era um lar cheio de vida e luz e comida farta. Fizemos mais um resgate do que uma adoção. Mel, ao passar para nossos cuidados, ganhou direito a comer com fartura, agua limpa e uma areia (banheiro) apenas sua. Um gato não precisa de muito mais que isso. Só precisa de amor e isso ela tem desde que adentrou a nossa residência.

Minha relação com ela é turbulenta. Sempre foi. Eu a amo e gosto de ter sua presença, mas não demonstro de forma  plena pois tenho medo de perdê-la. Quando eu era uma criança de 5 anos tinha o Nero, um cachorrinho que eu amava. Meu padrasto (um deles) e seus amigos idiotas mataram o cachorro que era um filhote bem na minha frente embebedando  animalzinho até a morte ao longo de uma tarde em que lhe ofereceram vár as e várias doses de chachaça, que até hoje não sei porque, o pateta ia aceitando. Morreu no fim do churrasco. Rodopiou, caiu e morreu.

Desconfio que Mel preferenossa relação e no fundo sabe que eu a amo. Quando a chamo de "otária" ao invés de Mel, é porque quero ter uma construção diferente e única com ela e embora Graziela e Vivi abominem isso, creiam, é minha forma de fluir afeto. Sou um ser bizarro, confesso.  Mel sempre teve, tem e terá, mesmo quando se for, meu amor incondicional.

Gosto de arrumar a manta para ela deitar no sofá em dias frios, gosto de ir comprar a ração e a areia que ela usa. Coloco capricho genuíno quando limpo sua ciaxa de areia pois ela não a utiliza suja. Quando edimos frango empanado no "Polo Loko" (o nome é idiota mas o frango e as batatas rústicas são deliciosas assi comoos molhos que mandam), sempre dou nacos de frango para ela e digo sem medo que ela tem mais confianã de comer os que dou do que os que Gra e Vivi lhe ofertam. Tenho um orgulho secreto desse fato.

Gatos não passeiam como cachorros, mas ela gosta de dar um voltinha no terraço de nosso apto e também no hall dos elevadores. Eu sempre abro a porta do terraço e da sala para que ela de seus passeios e quado é no hall, sempre corro para fechar a janela, pois o único alvo dela é ver se a janela esta aberta para pular e se equilibrar. Acontece que é o 12a e se ela cair, vai morrer. Ela tem mais coragem que juízo. Admiro pessoas assim, gatos, pela completa falta de discernimento racional, prefiro que tenham mais juízo que coragem.

Mel esta com câncer. Um Linfoma para ser mais exato. A 4 dias não come e nem toma água. Os esfrços dos 2 veterinários que cuidaram dela até aqui foram infrutíferos. Ela definha a nossa vista dia a dia. Hoje ela vai novamente ao veternário. Até caberia quimioterapia, mas não queremos que ela sofra, não queremos ver nossa gatinha linda sofrendo como ela esta. A 2 noites, Graziela não dorme. a 2 noites, eu finjo dormir. Ontem, sonhei com Nero. Não sei o que significa quando filhotes falam como seres humanos no sonho, mas ele me disse que eu deveria ter impedido sua morte. Como? Como posso impedir a morte da Mel? 

A morte é desde sempre nossa pior inimiga e se engana quem acha que a morte de uma das razões de nosso afeto, nossa gatinha, deve ser relativizada pois afinal ela não é um ser humano. Ela demonstra mais amor por nós do que muitos de nossos parentes memso que ela não saiba falar. Só quem ama um gato sabe como é lindo, como é puro coçar o seu queixo e vê-lo ronronar de felicidade. Ou quando Mel, em um dos raros momentos de bom humor sobe em nossa cama e dorme aos nossos pés. 

A poucos dias atrás ela pulou no meu colo e ela nunca tinha feito isso. Se aninhou e ficou ate onde sua paciência, tão curta quanto a inha, permitiu. Parecia que ela me dizia que sabia que eu a amava apesar  da suposta distância que guardamos. Parecia que ela dizia que memso eu sendo um perfeito idiota ela não me julgava e apenas me amava. Eu torço para que Mel não se vá, ao menos não agora. Mas se ela ficar ou se ela se despedir, eu sempre a amarei. Mel sempre será a minha companheira, sempre estará ao meu lado quando eu pegar um livro para ler.

Eu não quero que minha gata garota se vá. Mas se ela se for, que ela vá em paz. Sabendo que foi amada, muito amada.Que ela alegrou nossas vidas e não houve um só dia  que questionamos se ela deveria esta entre nós, se deveríamos tê-la adotado. Jamais!

Mel, eu te amo!

É isso.

Ouvindo: Life, Love & Others Mysteries

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