Minha mãe nunca me chamou de ovelha negra, mas é estranho que sempre dizia que ao ouvir a canção de Rita Lee, lembrava-se automaticamente de mim. Um claro indicativo do que ela pensava e não, não m sinto chateado porque ela via a condição de ovelha negra como eu vejo: Uma coisa boa, uma distinção positiva e não o contrário. Para mim, ser uma ovelha negra, não ser como tantos e tantos, me faz feliz, me garante o mínimo de sanidade para viver o restante da vida.
Já me entristeceu demais não ser uma pessoa que se encaixa, ser um quadrado que vive em um mundo redondo, mas hoje é sinceramente uma questão pacificada em meu coração. Não vou conseguir agradar as pessoas, não vou conseguir fingir que vejo o mundo e sua insanidade cada vez mais escancarada pela lente comum. E não estou dizendo de forma alguma que distorcida é a lente dos outros. Muito provavelmente é a minha lente que enxerga o mundo de forma desconexa e desproporcional.
Não tenho de forma alguma a pretensão de dizer que certo sou eu e errado é o mundo. Esse lance de que a maioria crucificou Jesus, frase comumente utilizada para dizer que a maioria esta errada não me convence nem um pouco e muito menos me conforta. Eu sinceramente se pudesse escolher estaria ao lado da maioria em tudo. Muito mais fácil pensar de forma linear e pasteurizada. Evita ter que dar explicações, evita ser o "do contra", evita o confronto.
Se por um lado não consigo evitar pensar como penso e ver como vejo, tenho conseguido evitar as expressões públicas de meus pensamentos. Não os verbalizo de forma alguma a menos que seja absolutamente necessário, indispensável mesmo. Afinal, o que me traz de bom, de benefício, expressar minhas ideias, minhas impressões para que todos em volta saibam? Tenho aprendido que a mim, basta que eu mesmo tenha minhas convicções bem estabelecidas, minhas certezas bem fundamentadas.
Quando me orgulhava de ser uma ovelha negra, o confronto era o que me movia. Hoje, fujo do confronto, fujo da possibilidade de ser o cara que vai contra a multidão. O silêncio é meu aliado, os vazios verbais me fazem muito mais bem do que mal, alias, não me fazem mal. Não renuncio de forma alguma a ser como eu sempre fui, não renego meu modo de pensar e viver, apenas não preciso ser o primeiro a contestar ou concordar. A mim, basta pensar. Me basta ter fundamentado dentro de mim mesmo o que acredito e tá tudo bem.
Minha mãe nunca me chamou de ovelha negra, mas sabia bem o filho que tinha. Sabia bem que eu era sou e serei uma e no fundo, creio que ela se orgulhava deste meu traço. Pensar assim me faz feliz.
É isso.
Ouvindo: Pato Fu, Música de Brinquedo
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