Gaza e o Silêncio Dos Justos

 

Chorem pelas crianças e pelos adultos que sucumbem à fome. Chorem pelos hospitais reduzidos a escombros, pela água contaminada e pela infraestrutura em frangalhos. Chorem pelas mães que enterram seus filhos e pelos órfãos de soldados que, na maioria das vezes, sequer escolheram o combate.

Há que se chorar pelos governantes indiferentes ao próprio povo e pelos túneis secretos que servem apenas como artérias para a dor. É uma história tão triste quanto real, escrita em tempo real sob o apagão da energia e da diplomacia. No fundo, a tragédia persiste porque a apatia venceu: caminhões de ajuda humanitária são interceptados por quem, inebriado por sua sanha de vingança, condena os próprios patrícios a uma morte que não lhes era devida.

O pranto cabe também aos judeus que, atacados brutalmente pelo Hamas, viram a contraofensiva se tornar massiva e criminosa. Choremos pelos reféns que vivem como zumbis — um estilhaço de horror adicionado ao roteiro de suas vidas. Choremos pela lógica que embota o pensamento humanitário e tenta naturalizar o injustificável em Gaza, enquanto o resto do mundo se ocupa de problemas supostamente mais urgentes.

Por fim, choremos por cada um de vocês que leem e por mim, que escrevo. O que fazemos além de manifestar uma indignação protocolar? Se não há insurgência contra esse status quo, há aceitação. Onde está a revolta contra a ordem estabelecida? Até quando seremos coniventes? Nossa inércia é o que, no fim das contas, mantém o cenário imóvel. Choremos, então, pela nossa passividade.

É isso.

Ouvindo: Vilarejo de Marisa Monte

Comentários

Postagens mais visitadas